26/02/2026
Há uma diferença fundamental entre fazermos tudo aquilo que os outros esperam ou exigem, de modo a que, assim, gostem de nós, e sermos tão verdadeiros quanto somos capazes, de maneira a que o melhor que temos para lhes dar valha como “unidade de medida” para nos sentirmos esclarecidos acerca de quem gosta de nós. Quando nos encolhemos na esperança de que, dessa maneira, gostem da pessoa que somos, tornamo-nos bonzinhos. Que é uma forma de sermos obedientes e submissos, à custa de não sabermos dizer que não, mesmo que fiquemos de bem com os outros e de mal connosco. Quando assumimos os nossos nãos e os partilhamos, há quem identifique em nós uma pitada de mau feitio, se bem que eles sirvam para sinalizarmos quem somos e, com base na nossa verdade, ora assumirmos um conflito como o caminho mais curto para que duas pessoas diferentes se aproximem uma da outra, como, também, partindo dela, fazermos pontes, descobrindo que a nossa liberdade começa onde começa a do outro.
Talvez porque tenhamos crescido mais a medo do que era suposto; ou mais em silêncio do que todos foram imaginando; ou, talvez, porque uma educação judaico-cristã nos possa ter trazido ao desconforto de supor que aquilo que se sente deve ser resguardado porque pode ser perigoso, como se a diferença entre a verdade e a mentira se fizesse por aquilo que omitimos em vez da forma bem educada como falamos das nossas verdades, crescemos com pequenas mentiras e no medo que nos levaram, muitas vezes, a presumir que à liberdade - na política, na economia, na justiça ou na relação entre as pessoas - se chega muito mais através dos silêncios com que pactuamos com os mentirosos do que com a verdade que pomos à disposição uns dos outros para vermos mais longe.