Arquivo Municipal de Loures

Arquivo Municipal de Loures Arquivo Municipal de Loures

O Arquivo enquanto conjunto documental existe desde sempre, como serviço desde que a documentação começou a ser acondicionada noutro espaço diferente do local de produção. As novas instalações foram inauguradas a 28 de Maio de 2009 e são constituídas por cinco pisos (com capacidade para 15.8 km de documentação), gabinetes técnicos, atendimento ao público, sala de leitura e área de exposições. Os n

ovos depósitos albergam toda a documentação administrativa proveniente da atividade do município, desde a sua criação em 1886, bem como outros fundos, desde a administração central, judiciais, associações, irmandades e confrarias, sem esquecer os familiares.

“𝐓𝐨𝐝𝐚𝐬 𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐟𝐨𝐫𝐚𝐦 𝐮𝐦 𝐝𝐢𝐚 𝐜𝐫𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚𝐬 – 𝐦𝐚𝐬 𝐩𝐨𝐮𝐜𝐚𝐬 𝐬𝐞 𝐥𝐞𝐦𝐛𝐫𝐚𝐦 𝐝𝐢𝐬𝐬𝐨.”𝐴𝑛𝑡𝑜𝑖𝑛𝑒 𝑑𝑒 𝑆𝑎𝑖𝑛𝑡-𝐸𝑥𝑢𝑝𝑒́𝑟𝑦🎈🎈🎈
01/06/2026

“𝐓𝐨𝐝𝐚𝐬 𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐟𝐨𝐫𝐚𝐦 𝐮𝐦 𝐝𝐢𝐚 𝐜𝐫𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚𝐬 – 𝐦𝐚𝐬 𝐩𝐨𝐮𝐜𝐚𝐬 𝐬𝐞 𝐥𝐞𝐦𝐛𝐫𝐚𝐦 𝐝𝐢𝐬𝐬𝐨.”
𝐴𝑛𝑡𝑜𝑖𝑛𝑒 𝑑𝑒 𝑆𝑎𝑖𝑛𝑡-𝐸𝑥𝑢𝑝𝑒́𝑟𝑦
🎈🎈🎈

01/06/2026
26/05/2026

🏛️🎂 𝐄𝐝𝐢𝐟𝐢́𝐜𝐢𝐨 𝐝𝐨 𝐀𝐫𝐪𝐮𝐢𝐯𝐨 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢𝐩𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐋𝐨𝐮𝐫𝐞𝐬 𝐜𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚 𝐨 𝐬𝐞𝐮 𝟏𝟕.º 𝐚𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐚́𝐫𝐢𝐨!

No próximo dia 28 de maio, assinalamos mais um ano do Edifício do Arquivo Municipal de Loures, um espaço fundamental na salvaguarda da história, da identidade e da memória coletiva do concelho.

Para comemorar este marco, preparámos uma tarde cultural especial e aberta a toda a comunidade. Venha celebrar connosco!

𝐏𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚:
🕒 𝟏𝟓𝐡𝟎𝟎 | Visita guiada à exposição «1976 – O ano de todas as eleições».
🕒 𝟏𝟓𝐡𝟒𝟎 | Atuação do grupo Jograis da Academia dos Saberes

𝐏𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚: Arquivo Municipal de Loures (Rua Cesário Verde)
🎟️ 𝐄𝐧𝐭𝐫𝐚𝐝𝐚: Livre e gratuita

Contamos com a sua presença para valorizar o património que conta a história de todos nós!

📜𝗖𝗮𝘀𝗮 𝗱𝗼 𝗣𝗿𝗼𝗳𝗲𝘀𝘀𝗼𝗿 𝘃𝗶𝘀𝗶𝘁𝗮 𝗮 𝗲𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 “𝟭𝟵𝟳𝟲: 𝗼 𝗮𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗮𝘀 𝗮𝘀 𝗲𝗹𝗲𝗶𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀”No passado dia 19 de maio, teve lugar uma vi...
26/05/2026

📜𝗖𝗮𝘀𝗮 𝗱𝗼 𝗣𝗿𝗼𝗳𝗲𝘀𝘀𝗼𝗿 𝘃𝗶𝘀𝗶𝘁𝗮 𝗮 𝗲𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 “𝟭𝟵𝟳𝟲: 𝗼 𝗮𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗮𝘀 𝗮𝘀 𝗲𝗹𝗲𝗶𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀”

No passado dia 19 de maio, teve lugar uma visita da Casa do Professor do Concelho de Loures à exposição “1976: o ano de todas as eleições”, patente no Arquivo Municipal de Loures até dezembro de 2026.

A mostra apresenta o ano de 1976 como um marco determinante na consolidação da democracia em Portugal, evidenciado pela realização de importantes atos eleitorais: as eleições para o Presidente da República, para as Assembleias Legislativas Regionais da Madeira e dos Açores e as eleições autárquicas.

Durante a visita, os participantes tiveram oportunidade de contactar com documentos originais, fotografias e outros registos históricos, que ilustram o ambiente político e social da época. Esta experiência permitiu aprofundar o conhecimento sobre o processo democrático no período pós Revolução de Abril, promovendo, simultaneamente, a reflexão crítica sobre a sua relevância histórica.

Partilhamos algumas 📸que testemunham alguns dos momentos desta iniciativa.

𝐶𝑀𝐿 – 𝐴𝑀𝐿 – 𝑆𝑒́𝑟𝑖𝑒 𝐹𝑜𝑙ℎ𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑐𝑡𝑜

𝐎 𝐐𝐔𝐄 (𝐧𝐨𝐬) 𝐃𝐈𝐙𝐄𝐌 𝐎𝐒 𝐃𝐎𝐂𝐔𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎𝐒𝐃𝐞𝐟𝐞𝐬𝐚, 𝐧𝐞𝐮𝐭𝐫𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨𝐥𝐨 𝐚𝐝𝐦𝐢𝐧𝐢𝐬𝐭𝐫𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 (𝟏𝟗𝟒𝟐)𝑈𝑚𝑎 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑜 𝐺𝑜𝑣𝑒𝑟𝑛𝑜 ...
14/05/2026

𝐎 𝐐𝐔𝐄 (𝐧𝐨𝐬) 𝐃𝐈𝐙𝐄𝐌 𝐎𝐒 𝐃𝐎𝐂𝐔𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎𝐒

𝐃𝐞𝐟𝐞𝐬𝐚, 𝐧𝐞𝐮𝐭𝐫𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨𝐥𝐨 𝐚𝐝𝐦𝐢𝐧𝐢𝐬𝐭𝐫𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 (𝟏𝟗𝟒𝟐)

𝑈𝑚𝑎 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑜 𝐺𝑜𝑣𝑒𝑟𝑛𝑜 𝐶𝑖𝑣𝑖𝑙 𝑛𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑒𝑥𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝑆𝑒𝑔𝑢𝑛𝑑𝑎 𝐺𝑢𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑀𝑢𝑛𝑑𝑖𝑎𝑙

Em plena Segunda Guerra Mundial, a 14 de maio de 1942, o Governo Civil do Distrito de Lisboa difundiu uma circular confidencial da Direção Geral de Administração Política e Civil. O documento determinava que todos os assuntos relativos à Defesa Nacional deveriam ser tratados junto do Governo, apenas por intermédio das autoridades competentes. Dirigida a cargos administrativos e a associações humanitárias – em particular às corporações de bombeiros – a circular transmitia orientações explícitas no sentido de se evitar a apresentação de pedidos a representantes das potências estrangeiras, sobretudo quando estivessem em causa ensinamentos, apoio técnico ou auxílio relacionado com a defesa passiva das populações.

O alcance deste documento torna-se mais claro quando integrado no quadro legal e político da época em que foi produzido. Apesar do seu teor mais abrangente, importa notar que, pouco tempo antes, a 2 de abril, fora publicado o Decreto-Lei n.º 31 956, que enquadrava a Defesa Civil do Território (D.C.T.) atribuindo-lhe a missão de assegurar o funcionamento regular das atividades nacionais em tempo de guerra ou de grave emergência. Em simultâneo, Portugal tentava preservar a sua neutralidade num cenário internacional particularmente tenso. Lisboa, capital de um país neutral, tornara-se palco de intensa atividade diplomática e política – e também de espionagem – com forte presença de representantes das potências beligerantes. Num ambiente tão sensível, qualquer contacto de natureza institucional, mesmo quando motivado por razões técnicas ou humanitárias, podia ser interpretado como um sinal de aproximação a uma das partes, comprometendo o equilíbrio estratégico que o regime de Salazar procurava sustentar.

A circular de maio de 1942 pode, assim, ser lida como uma medida preventiva. Ainda que suscetível de leituras distintas, o documento expõe o carácter centralizador do Estado Novo em matérias sensíveis – como a defesa e as relações externas – e a preocupação em controlar a atuação das estruturas locais e associativas. Ao mesmo tempo parece evidenciar a tensão entre a segurança interna – necessidade de preparação face a ameaças reais e de imposição de uma disciplina administrativa estrita – e a gestão cautelosa da neutralidade portuguesa durante a Segunda Guerra Mundial.

𝐶𝑀𝐿 – 𝐴𝑀𝐿 – 𝑆𝑒́𝑟𝑖𝑒 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑛𝑑𝑒̂𝑛𝑐𝑖𝑎 𝐶𝑜𝑛𝑓𝑖𝑑𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙, 1942

17/04/2026
𝐎 𝐐𝐔𝐄 (𝐧𝐨𝐬) 𝐃𝐈𝐙𝐄𝐌 𝐎𝐒 𝐃𝐎𝐂𝐔𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎𝐒𝐎 𝐏𝐮𝐥𝐬𝐚𝐫 𝐄𝐜𝐨𝐧𝐨́𝐦𝐢𝐜𝐨 𝐞 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐁𝐮𝐜𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐧𝐚 𝐃𝐞́𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟐𝟎Um ofício enviado pela regedori...
11/04/2026

𝐎 𝐐𝐔𝐄 (𝐧𝐨𝐬) 𝐃𝐈𝐙𝐄𝐌 𝐎𝐒 𝐃𝐎𝐂𝐔𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎𝐒

𝐎 𝐏𝐮𝐥𝐬𝐚𝐫 𝐄𝐜𝐨𝐧𝐨́𝐦𝐢𝐜𝐨 𝐞 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐁𝐮𝐜𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐧𝐚 𝐃𝐞́𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟐𝟎

Um ofício enviado pela regedoria da freguesia de Bucelas à administração do concelho de Loures oferece um retrato elucidativo da vida económica e do quotidiano da freguesia no início do século XX. No documento, datado de 11 de abril de 1921, enumeravam-se 23 tabernas, 12 mercearias, oito salsicharias, duas hospedarias, duas drogarias, uma farmácia e uma Sociedade Recreativa. Em contraste, salientava-se inexistência de hotéis, estalagens, cafés, casas de pernoita e centros políticos, indiciando o carácter rural e comunitário da freguesia. Embora o levantamento revelasse a diversidade do pequeno comércio, é sobretudo o número invulgarmente elevado de tabernas, mercearias e salsicharias que desperta curiosidade.

A existência de 23 tabernas numa freguesia com a dimensão de Bucelas revela muito mais do que o simples hábito de beber vinho ou consumir bebidas. Na década de 1920, estes estabelecimentos eram verdadeiros espaços multifuncionais, com um papel social quase tão importante quanto o comercial. Funcionavam como lugares de convívio diário, frequentados sobretudo por homens — trabalhadores rurais, jornaleiros e pequenos proprietários — que ali se reuniam após as lides do campo. Eram autênticos centros informais de sociabilidade: pontos de circulação de notícias, de conversa política informal (mesmo sem "centros políticos"), de acertos pontuais de serviços e trocas agrícolas ou de combinação de jornadas de trabalho. Acessíveis e de portas abertas, serviam refeições simples, acolhiam jogos de cartas e eram, muitas vezes, o lugar onde se aguardava transporte ou companhia para os campos. O número elevado de tabernas não sugere necessariamente consumos excessivos de álcool; antes sublinha a centralidade destes espaços na vida comunitária. Num tempo anterior à televisão, ao associativismo massificado e à facilidade de deslocação, a taberna era, por excelência, a "arena social" da freguesia.

O número, igualmente elevado de salsicharias registadas na freguesia reflete práticas económicas e alimentares características da época. Importa lembrar que estas casas muitas vezes acumulavam funções de talho com a produção artesanal e a venda de enchidos – chouriços, morcelas, farinheiras –, bem como de carnes curadas e produtos de fumeiro. Eram fundamentais numa economia em que a conservação da carne dependia da salga, da cura e da fumagem, sobretudo antes da eletrificação generalizada e do acesso a câmaras frigoríficas. Tal como as tabernas, as salsicharias integravam circuitos locais de abastecimento e troca, respondendo a necessidades básicas de alimentação, autossuficiência e comércio de proximidade.

Somando o número de tabernas, mercearias e salsicharias — 43 estabelecimentos dedicados essencialmente ao fornecimento de alimentos, bebidas e bens básicos — percebe-se que Bucelas era uma freguesia fortemente orientada para o consumo interno e para um quotidiano vivido em comunidade. A ausência de hotéis ou estalagens confirma que a localidade não era um destino de passagem ou turismo, mas sim um território de vida local intensa, marcado por de relações de vizinhança e interdependência. E, claro, mostram também que, numa Bucelas conhecida pelo seu vinho, a taberna funcionava como um verdadeiro "centro social", um lugar onde se cruzavam histórias, decisões e o pulsar quotidiano da freguesia no início do século XX.

𝐶𝑀𝐿 – 𝐴𝑀𝐿 – 𝑆𝑢𝑏𝑓𝑢𝑛𝑑𝑜 𝐴𝑑𝑚𝑖𝑛𝑖𝑠𝑡𝑟𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑐𝑒𝑙ℎ𝑜 𝑑𝑒 𝐿𝑜𝑢𝑟𝑒𝑠, 1921

𝐎 𝐐𝐔𝐄 (𝐧𝐨𝐬) 𝐃𝐈𝐙𝐄𝐌 𝐎𝐒 𝐃𝐎𝐂𝐔𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎𝐒𝐄 𝐒𝐄 𝐅𝐎𝐒𝐒𝐄 𝐇𝐎𝐉𝐄? 𝐀 𝐌𝐢𝐬𝐞-𝐞𝐧-𝐒𝐜𝐞̀𝐧𝐞 𝐝𝐨 𝐀𝐩𝐨𝐢𝐨 𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐒𝐚𝐥𝐚𝐳𝐚𝐫 (𝟏𝟗𝟒𝟓)A 9 de ab...
09/04/2026

𝐎 𝐐𝐔𝐄 (𝐧𝐨𝐬) 𝐃𝐈𝐙𝐄𝐌 𝐎𝐒 𝐃𝐎𝐂𝐔𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎𝐒

𝐄 𝐒𝐄 𝐅𝐎𝐒𝐒𝐄 𝐇𝐎𝐉𝐄?
𝐀 𝐌𝐢𝐬𝐞-𝐞𝐧-𝐒𝐜𝐞̀𝐧𝐞 𝐝𝐨 𝐀𝐩𝐨𝐢𝐨 𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐒𝐚𝐥𝐚𝐳𝐚𝐫 (𝟏𝟗𝟒𝟓)

A 9 de abril de 1945, o Governo Civil do Distrito de Lisboa remeteu uma circular confidencial aos presidentes de câmara, anunciando a preparação, na capital, de uma grande manifestação nacional de apoio ao regime e ao Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar. A circular determinava a presença formal dos municípios – com estandartes e com todos os vereadores – e previa ainda a participação de "elementos oficiais", "nacionalistas de reconhecida categoria", organizações desportivas, operários e lavoura, entre outros setores. Informava, também, que os organismos oficiais já estavam a organizar as suas delegações.

Para planear o transporte até Lisboa, requeria-se, com urgência, que a Câmara Municipal de Loures indicasse o número de pessoas a deslocar e os locais de embarque no concelho. Sublinhava-se igualmente que o objetivo específico da manifestação permaneceria reservado até momento oportuno. A exigência de presença municipal revela que as câmaras foram, de facto, convocadas — e, na prática, cooptadas — para garantir a logística de uma manifestação política de âmbito nacional, diluindo a fronteira – hoje tida como inquestionável – entre administração local e propaganda governamental. A representação municipal surgia, assim, convertida em instrumento de legitimação do poder central. O levantamento urgente de participantes e a organização dos embarques evidenciavam uma mobilização institucionalmente preparada e uma coreografia dirigida pelo Estado quanto à presença e à visibilidade dos diferentes corpos sociais – dinâmica dificilmente compatível com a espontaneidade cívica associada a manifestações.

Neste quadro, o "controlo de pessoas e deslocações" traduzia-se na gestão da massa humana presente — da sua dimensão e composição social — e, no plano ético administrativo, a afetação de recursos municipais (tempo, pessoal, verbas, viaturas) a uma iniciativa de apoio explícito ao chefe do governo, comprometia a neutralidade da administração e confirmava uso de meios públicos para fins políticos. A instrução do Governo Civil de Lisboa reafirmava ainda uma hierarquia que subordinava a agenda municipal aos objetivos do executivo central; a reserva quanto ao "objetivo específico" adensava a opacidade e fragilizava o consentimento informado e a liberdade de participação. Paralelamente, a enumeração e convocação administrativa de segmentos sociais esvaziavam a pluralidade e convertiam a participação municipal não num gesto cívico, mas numa performance política organizada. A presença das câmaras, com o seu aparato institucional, contribuía, assim, para construir e projetar uma imagem pública de consenso encenado pelo Estado.

𝐶𝑀𝐿 – 𝐴𝑀𝐿 – 𝑆𝑒́𝑟𝑖𝑒 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑛𝑑𝑒̂𝑛𝑐𝑖𝑎 𝐶𝑜𝑛𝑓𝑖𝑑𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙, 1945

𝐂𝐑𝐎́𝐍𝐈𝐂𝐀𝐒 𝐃𝐄 𝐌𝐀𝐋 𝐕𝐈𝐕𝐄𝐑𝐂𝐨𝐥𝐢𝐬𝐚̃𝐨 𝐍𝐨𝐭𝐮𝐫𝐧𝐚 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐮𝐦 𝐒𝐢𝐝𝐞𝐜𝐚𝐫 𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐂𝐚𝐫𝐫𝐨𝐜̧𝐚 (𝟏𝟗𝟐𝟏)Na crónica deste mês relembramos um episódi...
28/03/2026

𝐂𝐑𝐎́𝐍𝐈𝐂𝐀𝐒 𝐃𝐄 𝐌𝐀𝐋 𝐕𝐈𝐕𝐄𝐑
𝐂𝐨𝐥𝐢𝐬𝐚̃𝐨 𝐍𝐨𝐭𝐮𝐫𝐧𝐚 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐮𝐦 𝐒𝐢𝐝𝐞𝐜𝐚𝐫 𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐂𝐚𝐫𝐫𝐨𝐜̧𝐚 (𝟏𝟗𝟐𝟏)

Na crónica deste mês relembramos um episódio ocorrido no início da década de 1920, quando a modernidade, ainda incipiente, chocava – por vezes literalmente –, com os velhos meios de transporte. Um ofício da Guarda Nacional Republicana, datado de 28 de março de 1921 e emitido pelo Batalhão n.º 9, 5.ª Companhia, Secção de Vila Franca de Xira, dava conta de que, pelas onze da noite do dia anterior, um sidecar e uma carroça tinham estado implicados numa colisão invulgar para aqueles tempos.

O sidecar era conduzido por um motorista lisboeta que atravessava a vila quando embateu numa carroça guiada por um carroceiro residente na Quinta Nova, freguesia de Santo Antão do Tojal. O confronto entre o velho e o novo deu-se de forma abrupta. O certo é que o sidecar embateu na carroça sem aviso. Do acidente resultaram ferimentos ligeiros no motociclista, bem com alguns golpes no animal que puxava a carroça.

Já o veículo motorizado sofreu danos consideráveis – eixo partido e diversas amolgadelas – em parte devido aos coices desferidos pelo animal assustado. Duas testemunhas confirmaram o sucedido, contribuindo para o esclarecimento do acidente que, apesar dos estragos materiais, terminou sem consequências de maior gravidade.

𝐶𝑀𝐿 – 𝐴𝑀𝐿 – 𝑆𝑢𝑏𝑓𝑢𝑛𝑑𝑜 𝐴𝑑𝑚𝑖𝑛𝑖𝑠𝑡𝑟𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑐𝑒𝑙ℎ𝑜 𝑑𝑒 𝐿𝑜𝑢𝑟𝑒𝑠, 1921

Endereço

Rua Cesário Verde
Loures
2670-527

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 17:00
Terça-feira 09:00 - 17:00
Quarta-feira 09:00 - 17:00
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Sexta-feira 09:00 - 17:00

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