28/05/2026
Estrada alternativa à EN 103
Jorge Campos, deputado do Chega, na Assembleia Municipal de Montalegre(AMM), tem-se destacado na reivindicação de propostas que ele julga pertinentes para combater o atraso em que se encontra o concelho. Atitude digna de apreço porque revela sentido de responsabilidade e saber estar na Assembleia Municipal que, para ele, não se resume a sentar-se na cadeira e receber o valor da senha de presença ao fim do mês, tal com acontece com 90% dos nossos eleitos.
Segundo visto nas redes sociais, Jorge Campos na AMM tem reclamado por acessibilidades dignas para a região, postura meritória tanto mais que as sucessivas administrações socialistas da Câmara Municipal têm descurado, por completo, essa vertente desde 1990 até à presenta data.
As forças da oposição têm, neste caso, desempenhado cabalmente o seu papel não só com críticas sobre as acessibilidades principais mas também com a apresentação de moções a se exigir do governo a requalif**ação/rectif**ação da EN 103 que, para mal dos pecados dos barrosões, não surtem qualquer resposta positiva dos executivos socialistas sendo que até se deram ao luxo de votar contra essas propostas porque, para eles (Orlando Alves e C.ª), «a estrada está bem como está».
Mas voltemos a Jorge Campos porque surge a propor «uma nova estrada alternativa à EN 103» que ele classif**a estrada «perigosa, longa, sombria, muito nevoeiro e precipícios (mais turística que versátil)»
Trata-se dum novo projecto alternativo à EN 103 no concelho de Vieira do Minho e direccionado de Póvoa de Lanhoso a Salto passando por Vieira do Minho. Como refere, um projecto antigo mas nunca executado. Argumenta com números, sendo que essa nova estrada, se executada, diminuiria as distância de Salto a Vieira em cerca de 60%.
A ideia não tem nada de original porque, em 2010, quando se apresentou um “abaixo assinado” ao então governo socialista na pessoa do então secretário de Estado, Ascenso Simões, o ilustre barrosão Dr Juiz Custódio Montes defendeu publicamente essa mesma ideia. E, por essa altura, numa reunião, na CM de Braga, com o então presidente Mesquita Machado, o Eng.º António Cardoso também se referiu com entusiasmo a essa referida ideia, mas a verdade é que este político, eleito alguns anos depois, presidente da CM de Vieira do Minho, esqueceu a nova rota e a actual velhinha 103 e, incompreensivelmente, esta nem de Vieira nem de Montalegre tem merecido qualquer atenção e muito menos preocupação.
Mas, a ideia de Jorge Campos tem outros contornos que é preciso deles tomar o devido conhecimento para melhor avaliação da sua proposta.
Essa alternativa, por se tratar de estrada nacional principal, tal como é a EN 103, terá de ser aprovada, através de decreto, pelo governo e pelas Infraestruturas de Portugal por ser uma nova via de substituição da EN 103, estrada histórica a fazer ligação de Braga com Chaves. Daria lugar a um novo mapa rodoviário nacional. E mexer com o património nacional não é nada fácil.
Há, no entanto, outra situação que escapou a Jorge Campos. Se o seu projecto fosse por diante, seria expectável que a estrada não poderia acabar em Salto. Forçoso era dar-lhe continuidade até Montalegre e já agora a passar na capital de Barroso e daí seguir até Chaves.
Tudo isto, e Jorge Campos que me desculpe, talvez seja retórica para impressionar o povoléu sobretudo porque tem custos políticos muito difíceis de enfrentar. As Cerdeirinhas, Penedo, Salamonde, Ruivães e Venda Nova não se vão calar e os políticos de Vieira e de Montalegre, em exercício de funções, sabem disso e não vão arriscar numa aposta de grande complexidade, no meu modesto entendimento. Seriam 140 kms de um IP, totalmente novo mas de execução muito complexa, para o qual o orçamento de quinhentos milhões de euros não sei se seria suficiente.
É claro que tanto Vieira como Montalegre, por aquilo que dão ao país, mereciam tal investimento mas talvez seja melhor g***r com o sonho e acordar para a realidade.
Faço questão de declarar que eu não contesto a ideia, o que eu desejo (e desde os tempos de estudante) é uma boa ligação de Montalegre com Braga sem a qual Montalegre nunca verá ponta de progresso.
(A imagem é do Alto do Talefe, o ponto mais alto da serra da Cabreira, 1262 m)
Estrada Salto – Montalegre
E porque vem a propósito, nota final ainda para uma nova ligação de Salto a Montalegre.
Quando presidente da Câmara(CMM) fui alertado para esta ideia pelo ilustre saltense de Pomar de Rainha, José Jorge Álvares Pereira, homem sábio que foi técnico das Minas da Borralha e professor na Escola Profissional das Minas da Borralha, bom e competente colega nesta reputada instituição.
Então ele, certo dia no gabinete da CMM, fez-me ver as vantagens de estreitar a ligação rodoviária de Salto com Montalegre e até delineou o trajecto a seguir. Trajecto esse que eu, hoje, não reproduzo (não vou além de Salto, Pereira...) porque dele não tomei então a devida nota. Caso de que me penitencio mas talvez o seu filho, Eng.º José Manuel Álvares Pereira, saiba os detalhes desta ideia do seu pai. O que serviria de base para a concretização dum projecto de indiscutível interesse para o concelho de Montalegre e Barroso.
(Ver mais na edição n.º 687 do Notícias de Barroso, o jornal onde palpita alma do povo de Barroso)
José António Carvalho de Moura
ex-presidente da CM de Montalegre