28/05/2026
Acessibilidades: entre o conformismo de décadas e a obrigação de pensar o futuro de Montalegre.
A propósito do recente artigo publicado pelo ex-presidente da Câmara Municipal de Montalegre, José António Carvalho de Moura, sobre a proposta defendida pelo deputado municipal Jorge Pereira relativamente à criação de uma nova ligação rodoviária alternativa à EN103, entende a Comissão Política Concelhia do CHEGA Montalegre prestar alguns esclarecimentos públicos, não apenas em defesa da honra política e da seriedade institucional do nosso eleito, mas sobretudo em defesa de uma ideia que é vital para o futuro de toda a região de Barroso.
Em primeiro lugar, importa afirmar com total clareza: Jorge Pereira não inventou um problema inexistente nem lançou uma proposta irrealista para mero aproveitamento político. Pelo contrário. O mérito político do deputado municipal do CHEGA foi precisamente o de voltar a colocar na agenda pública um tema que sucessivos executivos locais e nacionais deixaram cair no esquecimento durante décadas.
E o próprio artigo do ex-presidente Carvalho de Moura confirma isso mesmo.
Ao reconhecer que:
• a EN103 é longa, perigosa, sinuosa e limitadora;
• a região necessita urgentemente de melhores acessibilidades;
• a ideia já havia sido anteriormente defendida por personalidades técnicas e institucionais;
• e que Montalegre nunca conhecerá verdadeiro progresso sem uma ligação moderna ao litoral e aos grandes centros urbanos;
f**a demonstrado que a proposta defendida por Jorge Pereira não é uma fantasia política, mas sim uma necessidade estrutural antiga, reconhecida há muitos anos por diversas gerações de responsáveis políticos, técnicos e cidadãos de Barroso.
Aliás, o próprio artigo refere nomes como o Dr. Custódio Montes, o Eng.º António Cardoso e o saudoso professor José Jorge Álvares Pereira, todos eles associados, em diferentes momentos, à defesa da necessidade de novas soluções rodoviárias para a região.
Assim, aquilo que hoje alguns tentam apresentar como “retórica” é, na verdade, uma reivindicação histórica de Barroso.
O verdadeiro problema nunca foi técnico.
Nunca foi geográfico.
Nunca foi sequer financeiro.
O verdadeiro problema sempre foi político:
faltou vontade, ambição e coragem para defender o interior com a mesma determinação com que se defenderam investimentos noutras regiões do país.
Portugal investiu milhares de milhões:
• em autoestradas no litoral;
• em resgates bancários;
• em infraestruturas aeroportuárias;
• em projetos de reduzida rentabilidade pública;
• e em sucessivos programas centralizados em torno das áreas metropolitanas.
Mas quando o interior exige aquilo que é básico para o seu desenvolvimento — acessibilidade, mobilidade e competitividade territorial — surgem imediatamente os discursos do “é impossível”, “é caro”, “é complexo” ou “não vale a pena”.
Essa resignação é precisamente aquilo que o CHEGA Montalegre rejeita.
Porque nenhuma região consegue fixar população, captar investimento, desenvolver turismo ou garantir serviços de qualidade sem boas acessibilidades.
Essa é uma realidade económica universal.
As regiões do interior que conseguiram crescer ou estabilizar população tiveram sempre um fator comum:
infraestruturas modernas de ligação aos grandes centros urbanos.
Veja-se:
• Chaves após a A24;
• Bragança após o IP4;
• Viseu após a A25;
• Guarda após a A23.
Montalegre continua praticamente afastado dos grandes corredores nacionais de mobilidade, sofrendo há décadas consequências gravíssimas:
• perda populacional;
• envelhecimento acelerado;
• fuga de investimento;
• dificuldades na fixação de empresas;
• isolamento económico;
• dificuldades no acesso rápido a cuidados de saúde;
• custos acrescidos de transporte;
• e perda contínua de competitividade territorial.
Por isso, levantar esta discussão não é populismo.
É responsabilidade política.
Também importa esclarecer outro ponto essencial:
ninguém está a defender a destruição ou abandono da atual EN103.
O que se defende é o estudo sério e responsável de uma nova solução rodoviária moderna, mais rápida, mais segura e mais eficiente, capaz de complementar a rede existente e servir as necessidades do século XXI.
Aliás, em toda a Europa coexistem:
• estradas históricas;
• vias panorâmicas;
• e corredores rápidos de mobilidade.
A EN103 pode continuar a desempenhar funções turísticas, locais e patrimoniais, enquanto uma nova ligação estruturante garante segurança, rapidez e competitividade económica.
Mais: importa desmontar a ideia, insinuada no artigo, de que uma proposta desta dimensão seria automaticamente impossível do ponto de vista técnico ou financeiro.
Não é verdade.
A engenharia rodoviária moderna permite hoje:
• variantes faseadas;
• soluções híbridas;
• perfis 2+1;
• retif**ações estratégicas;
• aproveitamento parcial de traçados existentes;
• túneis seletivos;
• e execução modular por fases.
Ou seja:
não é necessário construir “uma autoestrada faraónica” para melhorar drasticamente tempos de percurso, segurança rodoviária e competitividade territorial.
Além disso, uma ligação estruturante Braga–Vieira–Salto–Montalegre–Galiza–Chaves enquadra-se diretamente:
• nos objetivos da coesão territorial nacional;
• nos fundos europeus do Portugal 2030;
• nas políticas de combate à desertif**ação do interior;
• na valorização do turismo de natureza;
• no reforço das ligações transfronteiriças;
• e na estratégia europeia de desenvolvimento sustentável das regiões de baixa densidade.
Montalegre e Barroso não são um peso para o país.
São uma região estratégica que durante décadas deu ao país:
• energia;
• recursos hídricos;
• produção agropecuária;
• património ambiental;
• floresta;
• identidade cultural;
• e soberania territorial.
Portugal tem uma dívida histórica para com esta terra.
E essa dívida não se paga com conformismo nem com discursos de impossibilidade permanente.
Paga-se com investimento.
Paga-se com visão estratégica.
Paga-se com coragem política.
O deputado municipal Jorge Pereira teve precisamente essa coragem:
a coragem de voltar a levantar um tema que muitos preferem considerar impossível apenas porque durante décadas ninguém quis verdadeiramente lutar por ele.
O CHEGA Montalegre não aceita que o interior continue condenado à resignação.
Defender melhores acessibilidades não é sonhar.
É planear.
Não é populismo.
É estratégia territorial.
Não é propaganda.
É justiça para uma região historicamente esquecida.
Se hoje esta discussão regressou à agenda pública local e regional, isso deve-se à persistência política de quem recusou aceitar que Montalegre continue eternamente afastado das prioridades nacionais.
E essa discussão não f**ará por aqui.
Porque o futuro de Barroso não pode continuar dependente da lógica do “não vale a pena”.
Vale a pena, sim.
Por Montalegre.
Por Barroso.
Pelo interior.
E por Portugal.
* Fotografia: imagem meramente ilustrativa
Montalegre, 26 de Maio de 2026
Comissão Política Concelhia do CHEGA Montalegre