27/02/2026
Intervenção proferida na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal, realizada no dia de ontem, no período antes da ordem do dia, relativa aos recentes desenvolvimentos políticos no executivo municipal e à nomeação do Senhor Vereador Ilídio Loureiro em regime de tempo inteiro.
“Senhor Presidente da Assembleia,
Senhor Presidente da Câmara,
Senhores Deputados Municipais,
Senhores e Senhoras
Face aos factos ocorridos nas últimas semanas, entendemos ser nosso dever clarificar, com sentido de responsabilidade, a nossa posição.
O facto é objetivo: o Senhor Vereador Ilídio Loureiro passou a exercer funções em regime de tempo inteiro no executivo liderado pelo Partido Social Democrata.
Não estamos perante uma questão de natureza administrativa nem financeira.
Não discutimos o número de vereadores, até porque três vereador executivo tem sido prática habitual no concelho de Nelas, tanto em mandatos do Partido Socialista como do Partido Social Democrata.
Também não está em causa um aumento de encargos face a ciclos autárquicos anteriores. O que está em causa é uma questão de natureza política.
Nas eleições de 2025, o Partido Socialista apresentou-se aos eleitores como alternativa, sob o lema “Respeitar, Construir, Sonhar”.
O Partido Social Democrata apresentou-se como continuidade, sob o lema “Confiança e Compromisso. Uma equipa, um rumo.”
Os eleitores votaram conhecendo estas posições e distinguindo claramente os projetos políticos em presença.
Quando, após o ato eleitoral, se verifica uma integração no executivo da força política que se propunha substituir, é legítimo que se coloque uma reflexão política.
Não está em causa a legitimidade legal das decisões tomadas. Está em causa a coerência entre o mandato político sufragado e as opções posteriormente assumidas.
A democracia local exige transparência, previsibilidade e respeito pelo sentido do voto expresso pelos cidadãos.
É nesse plano, o da coerência e da responsabilidade política, que entendemos dever situar este debate.
Porque, em última análise, o que sustenta a vida democrática não são apenas maiorias formais, mas a confiança dos cidadãos nas palavras, nos compromissos e nos projetos que lhes são apresentados.
E essa confiança deve ser sempre preservada.”