Biblioteca-Museu do Jornal Avezinha

Biblioteca-Museu do Jornal Avezinha A Biblioteca-Museu do Jornal Avezinha é uma Associação Cultural. Visite-nos, leia connosco ou requisite um livro.

A Biblioteca-Museu do Jornal Avezinha é um espaço que poderá visitar de segunda a sexta-feira das 9:30h às 13h. Na Biblioteca pode ver a nossa coleção de livros (cada vez maior), jornais algarvios e nacionais de informação geral e desportiva, discos de vínil, filmes e revistas, que estão disponível para consulta no nosso espaço, ou poderá levar de empréstimo para usufruir dos mesmo na sua casa. O

museu está disponível para visita no mesmo horário, contudo para visitas guiadas é necessário marcar contactando-nos através de e-mail ou telefone. Esperamos por todos vós, para visitar o nosso novo espaço cultural em Paderne :)

Há sentimentos que não cabem nas palavras, mas encontram na poesia a sua mais bela morada. Em “AMAR  A  VIDA  INTEIRA”, ...
05/06/2026

Há sentimentos que não cabem nas palavras, mas encontram na poesia a sua mais bela morada.
Em “AMAR A VIDA INTEIRA”, Leonilda Alfarrobinha abre-nos o coração e revela o amor como essência que ilumina a existência, aquece os dias e dá sentido ao caminho.

Este poema toca a alma ao lembrar-nos que o amor verdadeiro permanece, transforma e, acima de tudo, vence o tempo e a dor, tornando-se a mais bela vitória da vida sobre a morte.

Há memórias que o tempo não apaga; apenas repousam, à espera de um instante de silêncio para voltarem à nossa companhia....
31/05/2026

Há memórias que o tempo não apaga; apenas repousam, à espera de um instante de silêncio para voltarem à nossa companhia.

Quando os anos nos oferecem mais tempo para recordar, damos conta de que a simplicidade de outrora carregava uma riqueza difícil de explicar.

Este é um texto que a IDA nos oferece , num regresso a um tempo de afetos, de costumes simples e de tardes de Domingo que sabiam a família, amizade e carinho.

QUEM DIRIA?!
SOU DO TEMPO QUE JÁ ME SOBRA TEMPO E DAÍ, DAR A*O ÀS RECORDAÇÕES.
Sou do tempo de tanta coisa que já não são deste tempo!
Assim sendo, hoje, lembrei-me do tempo em que a gente em pura infância ia fazer visita a amigos e familiares.
Pela tarde de Domingo, minha mãe ordenava que nos lavássemos um pouco melhor, vestíssemos a roupinha domingueira, porque íamos visitar a comadre Carminha, à Monchina, a pé, naquela tarde de Domingo.
Não havia aviso prévio e caímos na casa dela, de paraquedas, que nos recebia de coração aberto, manifestando sua alegria pela surpresa da nossa visita. Que satisfação!
Os pais conversavam assuntos triviais com a comadre Carminha e o compadre João e de início ainda com a comadre Maria Joaquina, numa conversa solta, na salinha acolhedora com as paredes ornadas pelos retratos dos seus progenitores e sobre os móveis, bijutarias e algumas fotos que os ornamentavam.
No corredor comprido e arejado podiam ver-se lindas plantas que ali se desenvolviam.
E nós seus filhos, e a garotada que por ali havia, brincávamos na rua à nossa vontade. Não havia passagem de carros, a brincadeira era livre.
Havia sempre bolos e bolinhos com um chazinho de Bela Luísa, para nos reconfortar da caminhada e lá tornávamos a entrar para a sala de visitas para os saborear.
Quando o sol começava a descer, a minha mãe dava início às despedidas, e a comadre Carminha, tinha sempre produtos da época para nos presentear. Era uma casa abastada e ela muito nossa amiga e de bom coração para toda a gente.
Ficávamos a conhecer e encetar novas amizades com os seus vizinhos, que assim se tornavam também nossos amigos. Na próxima visita a sua casa, já dávamos de vaia também à sua vizinhança.
Quando fazíamos as despedidas os donos da casa f**avam à porta, até que desaparecíamos na esquina da rua para fazer o derradeiro adeus.
E lá voltávamos nós, da mesma maneira a pé, para a nossa casa, nas Almeijoafras, com o coração aquecido pela ternura e satisfação que tínhamos recebido dos donos da casa, nossos grandes amigos.
Mais tarde, já eu mulher, continuei com as minhas visitas a esta comadre sempre que ia ao meu Torrão Natal sempre fazendo surpresa. A comadre Carminha e o compadre João, padrinhos do Batizado dos meus irmãos, foram visitados por mim até ao fim dos seus dias.
PS- E hoje quem visita quem, com ou sem surpresa?
Que mudança tão grande levou o modo da nossa vida!
Para o bem e para o mal.
Ida Santos

A SENSIBILIDADE POÉTICA DE JOÃO DE DEUS EM “HINO DE AMOR”O poema “Hino de Amor”, de João de Deus, insere-se numa poesia ...
25/05/2026

A SENSIBILIDADE POÉTICA DE JOÃO DE DEUS EM “HINO DE AMOR”

O poema “Hino de Amor”, de João de Deus, insere-se numa poesia marcada pela simplicidade da linguagem, pela musicalidade e pela expressão de sentimentos profundos.

Nascido em 1830, em São Bartolomeu de Messines, no Algarve, João de Deus destacou-se como um dos grandes poetas portugueses do século XIX, abordando frequentemente temas como o amor, a religiosidade, a infância e a natureza.

Para além da sua obra poética, reunida sobretudo em Campo de Flores, destacou-se também no campo da educação, através da Cartilha Maternal, um importante método de ensino da leitura em Portugal.

No poema “Hino de Amor”, o autor apresenta uma visão ternurenta e simbólica da figura de Jesus Menino, valorizando sentimentos como a compaixão, a gratidão e o amor, através da relação entre Cristo e um rouxinol salvo do perigo. Assim, o poema reflete a sensibilidade humana e espiritual tão característica da obra de João de Deus.

HINO DE AMOR

Andava um dia
Em pequenino
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O bom Jesus,
O Deus Menino.

Eis senão quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do Sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.

Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho,
Corre apressado,
Quebra o encanto,
Foge a serpente,
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
Tão requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
Tão repassado
De gratidão,
De uma alegria,
Uma expansão,
Uma veemência,
Uma expressão,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!

Jesus caminha
No seu passeio,
E a avezinha
Continuando
No seu gorjeio
Enquanto o via;
De vez em quando
Lá lhe passava
A dianteira
E mal poisava,
Não afroixava
Nem repetia,
Que redobrava
De melodia!

Assim foi indo
E foi seguindo.
De tal maneira,
Que noite e dia
Numa palmeira,
Que havia perto
Donde morava
Nosso Senhor
Em pequenino
(Era já certo)
Ela lá estava
A pobre ave
Cantando o hino
Terno e suave
Do seu amor
Ao Salvador!

João de Deus in " Antologia Poética"

O MUSEU DO JORNAL “AVEZINHA”  UM VOO PELA HISTÓRIAAssinala-se hoje o Dia Internacional dos Museus, uma data que convida ...
18/05/2026

O MUSEU DO JORNAL “AVEZINHA” UM VOO PELA HISTÓRIA

Assinala-se hoje o Dia Internacional dos Museus, uma data que convida à valorização da memória coletiva e do património que atravessa gerações. Entre os espaços museológicos existentes em Paderne, merece especial destaque o Museu do Jornal A Avezinha, inaugurado a 1 de maio de 2016.

Neste, preservam-se máquinas e equipamentos usados na produção do jornal, bem como exemplares publicados ao longo de cerca de cem anos, hoje guardados no edifício onde também funciona a sua biblioteca.

As visitas são gratuitas e podem ser feitas diariamente durante a manhã. Para quem não possa deslocar-se, f**a o convite para descobrir este património através de um pequeno filme de imagens.

Terceira parte de uma 'viagem' pelo percurso do jornalista Arménio Aleluia Martins. Leia a reportagem aqui: https://www.algarvemarafado.com/2022/11/14/a-asce...

RECORDAR   PAULO  MOREIRA,  A  VOZ  DO  PALCO  E  DA  PALAVRAFilho de algarvios, com raízes em Faro e Albufeira, Paulo M...
16/05/2026

RECORDAR PAULO MOREIRA, A VOZ DO PALCO E DA PALAVRA

Filho de algarvios, com raízes em Faro e Albufeira, Paulo Moreira dividiu a infância entre Moçambique, Guiné-Bissau, Angola e o Algarve.

Cresceu entre geografias distintas, num percurso marcado pela travessia e pela diversidade, com passagens por Olhão e Faro, cidade onde concluiu o ensino secundário.

Nascido em Quelimane, Moçambique, a 7 de maio de 1962, viria a construir no Algarve um percurso contínuo e singular na literatura, no teatro e na dinamização cultural, sempre marcado por uma prática autoral intensa e por uma visão do palco como espaço de intervenção e reflexão sobre o mundo contemporâneo.

Licenciou-se em Ensino de Física e Química e concluiu o mestrado em Supervisão da Formação de Professores pela Universidade de Aveiro.

Frequentou ainda uma pós-graduação em Teatro e Educação pela Universidade do Algarve. Foi professor no ensino secundário, lecionando Física e Química e Expressão Dramática, áreas onde cedo revelou a capacidade de cruzar conhecimento, criatividade e humanidade.

Ao longo de mais de três décadas, Paulo Moreira construiu um percurso independente onde cruzou teatro, literatura, ensino e edição, atento às fragilidades das relações humanas e às tensões da sociedade contemporânea.

A sua criação literária percorreu a prosa, a poesia e o teatro, áreas nas quais recebeu distinções em prémios literários e manteve presença regular em antologias, revistas e projetos coletivos, afirmando uma voz própria e persistente.

Foi, porém, como encenador que se tornou mais reconhecido. Ligado ao teatro desde os tempos universitários, colaborou durante largos anos com a ACTA , a Companhia de Teatro do Algarve, desenvolvendo um trabalho marcado pelo compromisso artístico e pela proximidade ao palco como espaço de encontro, questionamento e transformação.

Amigo próximo e frequentador assíduo da Biblioteca do jornal A Avezinha, participou em inúmeros eventos culturais e tertúlias, enriquecendo recitais com a sua presença, a sua voz e a singularidade do seu olhar.

Permanece o homem das palavras, do palco e da inquietação, aquele que fez da criação uma forma de diálogo com o mundo.

CORES  DE  INFÂNCIA  NA  BIBLIOTECA  DO  JORNAL  A  AVEZINHA  Entre cores leves e sonhos traçados em papel, surge uma ex...
07/05/2026

CORES DE INFÂNCIA NA BIBLIOTECA DO JORNAL A AVEZINHA

Entre cores leves e sonhos traçados em papel, surge uma exposição onde a imaginação das crianças ganha forma e vida.

Integrada no Concurso de Pintura Infantil, promovido pela Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha e inspirado na tradicional Festa do Folar, esta mostra reúne os trabalhos premiados, revelando a sensibilidade e criatividade dos mais pequenos.

A exposição poderá ser visitada na biblioteca até ao dia 31 de maio, convidando todos a mergulhar num universo feito de cor, ternura e fantasia.

TRABALHOS PREMIADOS
Categoria 2–4 anos

Áurea (2 anos)
Inês Pontes

Categoria 5 anos
Eduardo
Duarte
Dalila e Carolina

Categoria 6–7 anos
Laura
Joana Valente
Maria Luísa

Categoria 8–9 anos
Duarte
Rodrigo
Leonor
Adultos
Ana e Isaac

Na entrega dos prémios esteve a coordenadora do projeto, Ana Cardigo Silva, num momento marcado por sorrisos e felicitações.

PARRAGIL, ONDE  A  TERRA  SE  ALARGA  E  A  MEMÓRIA  PERMANECE ( continuação)As obras realizadas na Estrada 270, ao alar...
05/05/2026

PARRAGIL, ONDE A TERRA SE ALARGA E A MEMÓRIA PERMANECE ( continuação)

As obras realizadas na Estrada 270, ao alargarem o caminho, abriram também horizontes. Entre os sítios das Casas dos Pires e da Cerca Velha, o espaço cresceu e com ele, a vida. Onde antes havia silêncio e campo, começaram a erguer-se casas, sinais de um lugar que se reinventa.

O antigo lagar cedeu lugar a um edifício novo, onde nasceram um bar e um restaurante, Alagar, nome que guarda a memória do que ali existiu, como quem não quer deixar o passado desaparecer por completo.

Na zona de acesso às Almeijoafras, o edifício de Joaquim Rodrigues Alho acolheu novas habitações e até uma imobiliária, sinal de mudança e dinamismo. Aos poucos, novas moradias foram surgindo, trazendo famílias, vozes e rotinas, ampliando não só o espaço, mas o próprio sentido de comunidade.

O Centro Paroquial de Paderne trouxe nova vida ao lugar, tornando-se ponto de encontro e partilha. Ali se cruzam histórias de muitos cidadãos que, ao longo do tempo, deixaram marca na cultura e no associativismo da terra.

Literatura
Numa localidade de poucos habitantes, surpreende a riqueza literária que dela brota. Arménio Aleluia, autor de mais de uma dezena de obras, entre elas “Onde Cantam os Rouxinóis” e “Música em Três Séculos.”

A seu lado, António Henrique da Silva escreveu mais de meia centena de livros, onde entrelaça poesia, memórias e reflexões linguísticas, dando voz a uma vida plena de experiências.

A professora Antonieta de Jesus Rosendo deixou também o seu contributo com “A Escola Não Pára no Tempo”, “ Carroças Algarvias” e os seus cadernos de memórias, “Revisão Portátil.”

Luís Fernando Santos Silva Alho foi coautor de “A Cultura e o Desporto, uma Longa Caminhada,” em parceria com Arménio Aleluia.

Já Amélia Júdice Santos, com “Recordar é Viver” e mais tarde “Retalhos de uma Vida,” eternizou vivências, algumas delas escritas já no Parragil, onde residiu com a filha.

Música
Sendo Paderne berço da mais antiga filarmónica do Algarve, não surpreende que o Parragil tenha dado músicos à sua banda. Entre eles, Fernando Coelho bem como Maria Emília Rodrigues, Nuno Morgado, Arménio Aleluia, Mário Duarte Henriques e o sapateiro Joaquim Dias.

No acordeão, destacou-se Fernando Balbino, vindo de Vale de Telheiro, que fez do Parragil casa e viu nascer ali os seus filhos, Francisco e Manuel dos Ramos Balbino. Ambos seguiram o mesmo caminho artístico, levando a música além-fronteiras, até Angola e França. Francisco seria conhecido como “Chico do Cerro”.

Também António Henriques deixou a sua marca como fadista e coralista do Orfeão da banda de Paderne. E Quitéria Neves Dias dedicou parte da sua vida ao fado, registando-o no disco Mundo Sofrido.
Num plano internacional, destaca-se João Lima Duque, pianista de carreira sólida, que leva o nome da terra até à Alemanha.

Rádio Barrocal
Se já em 1963 existia uma Rádio em Paderne, não foi surpresa que, em 1986, nascesse a Rádio Barrocal. Dirigida por Arménio Aleluia, contou com o apoio de vários colaboradores, entre eles Teresa Guerra, locutora com carreira em Angola, que escolheu o Parragil para viver.

Outras vozes deram vida à rádio: Maria Emília Rodrigues, Paula Coelho, Dulce Morgado, Arsénio Martins e Júlia Martins, estes ligados ao Centro Comunitário de Paderne.

Turismo
Embora ainda discreto, o turismo começa a marcar presença,ao surgir um projeto que abre portas a visitantes.

A Quinta Brito Lima destaca-se como complexo turístico: um espaço que conjuga a traça solarenga da antiga residência com um amplo pavilhão, onde se realizam eventos, encontros e celebrações que juntam centenas de pessoas.

Desporto
O futebol é a modalidade mais popular, com nomes como Francisco Guerreiro, Miguel Coelho e Fernando Santos Silva a representarem o Padernense.

No ténis de mesa, destacaram-se Arménio Aleluia, Miguel Coelho e Diogo Monteiro, com Antonieta Rosendo a marcar presença no feminino.
Na pesca desportiva, António Mariano Gonçalves levou o nome da terra mais longe, representando a Faceal.

Cerca Velha
Cerca Velha é também o nome de um projeto que nasceu da visão de Teresa João Palma. Através da televisão, e com o apoio do marido Rui dos Santos e da filha Madalena, tem dado a conhecer a riqueza da cozinha algarvia.
Os seus programas, já apresentados na SIC, são mais do que receitas, são memórias vivas, sabores que contam histórias, e um tributo às raízes de uma terra que continua a crescer sem esquecer quem é.

Arménio Aleluia Martins

MÃE, POESIA EM FORMA DE AMORNo âmbito das comemorações do Dia da Mãe, o poema “Mãe”, de Maria da Conceição Elói, conheci...
03/05/2026

MÃE, POESIA EM FORMA DE AMOR

No âmbito das comemorações do Dia da Mãe, o poema “Mãe”, de Maria da Conceição Elói, conhecida pelo pseudónimo Madressilva, convida-nos a refletir sobre o amor incondicional e o sacrifício silencioso das mães.
Através de uma linguagem simples, mas profundamente tocante, a autora retrata a dedicação total de uma mãe aos seus filhos, evidenciando, ao mesmo tempo, a dor e a solidão que podem marcar o fim da sua vida.
Este poema alerta-nos para a importância de valorizar e cuidar de quem sempre nos amou sem medida, especialmente numa data tão signif**ativa como esta.

MÃE
Tão certo, «quem tem filhos tem cadilhos…»
Pobre de quem é Mãe, diz o rifão.
A mãe é sempre mãe, para cem filhos,
Mas «filhos» para a mãe, quantos serão?

Pobre de quem é mãe! Seu coração
Deu todo inteiro a cada um dos filhos
É um mistério mais, para os que vão
Seguindo a vida em os seus falsos trilhos.

Quando chega a velhice - noite fria
Em que as horas da vida são tamanhas,
P’ra quem não tem o pão de cada dia.

É triste ver a mãe no fim da vida,
Buscando amparo entre mãos estranhas
Porque entre os filhos não achou guarida!…

Maria da Conceição Elói ( Madressilva ) in “ Ecos da minha Voz”

O DIA MUNDIAL DO LIVRO É COMEMORADO EM 23 DE ABRIL Essa data foi escolhida pela UNESCO em 1995 para celebrar a leitura, ...
23/04/2026

O DIA MUNDIAL DO LIVRO É COMEMORADO EM 23 DE ABRIL

Essa data foi escolhida pela UNESCO em 1995 para celebrar a leitura, os livros e os direitos autorais.
Também homenageia grandes escritores que morreram nesse dia, como William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

Este dia é importante porque:

Incentiva o hábito da leitura;
Valoriza autores e suas obras;
Destaca a importância da educação e da cultura;
Promove o acesso aos livros no mundo todo.

Ideias para celebrar:

Começar um livro novo;
Visitar uma biblioteca ou livraria;
Trocar livros com amigos;
Ler para crianças.

Nesta quinta-feira, Dia Mundial do Livro, conte-nos sobre as suas leituras favoritas.
Qual o livro que mais gostou de ler?

ANSIEDADES E MEMÓRIAS DE UMA ESCRITORA PADERNENSEMaria de Jesus Campos, neste texto extraído da obra” Ansiedades de uma ...
20/04/2026

ANSIEDADES E MEMÓRIAS DE UMA ESCRITORA PADERNENSE

Maria de Jesus Campos, neste texto extraído da obra” Ansiedades de uma velha”, convida-nos a mergulhar no universo íntimo de uma voz marcada pelo tempo, pela memória e pelas inquietações da velhice.

Através de uma escrita sensível e reflexiva, a autora revela pensamentos e emoções que atravessam gerações, oferecendo ao leitor um olhar profundo sobre a condição humana e os seus dilemas mais silenciosos.

ANSIEDADES DUMA VELHA – XI

Judite medita na conversa que teve com um velho colega da escola primária sobre as atuais restrições de mobilidade; rememorava ele que dos quinze aos dezoito anos andava quase sempre por caminhos escusos a evitar encontrar a polícia, ora por se ter esquecido dos documentos da motorizada, ora por não estar a usar o capacete apertado, ora por levar a namorada. Mesmo assim acontecia encontrar a patrulha quando menos esperava e a multa era certa e algumas vezes eram cumulativas: mais uma pessoa além do condutor, falta de documentos e ausência de uso de capacetes ou mal afivelados.
Não era fácil ser jovem naqueles tempos. Por vezes também o tubo de escape não estava em condições. Com as luzes, lá isso, tinha muito cuidado, que andava muito de noite: nunca teve multa nenhuma por esse motivo.

Depois do 25 de abril já podia passear livremente com a namorada na motorizada, ambos com capacetes e os documentos sempre na mala dela. Depois tirou carta de condução, comprou o carro e nunca mais fugiu à polícia.

Agora, depois de velho, para sair de casa e levar a mulher que sofre dos nervos a respirar um pouco à beira-mar, o que a torna mais suportável, tem que andar novamente a fugir à polícia para percorrer de carro uns míseros dez quilómetros. Palavra, diz ele, que nunca pensou que passados cinquenta anos isso voltasse a acontecer. Já é muito azar, numa vida só, estas coisas se repetirem.

Judite matuta naquela conversa e não consegue encontrar-lhe sentido: então o Zé Manel para ir de carro com a coitada da mulher, que mal se pode mexer, a serenar um pouco com o ar marinho, tem que fugir à polícia? Alguma coisa não bate certo. Ele não é pessoa para andar metido em dr**as nem ter matado alguém. Se calhar também está é maluco, como a mulher. Coitados, ainda os metem a ambos num manicómio.
Mas parece que há muito os manicómios tradicionais terão encerrado; não se justif**avam quando todo o mundo se tornou um manicómio a céu aberto, onde coabitam lado a lado loucos e sãos. E depois ainda há a dificuldade em distingui-los. Ao que parece fazem turnos: hoje sou eu o maluco, no fim de semana és tu.

E eu? Pensa Judite. Será o meu dia de turno? Já não tenho a certeza e não encontro a escala. Paciência. Outro que o faça; hoje não estou para isso. Farta de malucos estou eu.

Endereço

Rua Miguel Bombarda, 67-69
Paderne
8200-495

Horário de Funcionamento

Terça-feira 09:30 - 13:00
Quarta-feira 09:30 - 13:00
Sexta-feira 09:30 - 13:00

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