04/09/2026
RENDAS SOCIAIS TÊM DE SER PAGAS
Ficamos a saber há pouco tempo, depois do CHEGA ter questionado o Governo Regional, que, nos Açores, estão por pagar perto de dois milhões de euros de rendas sociais. O mesmo requerimento dá conta que há mais de mil famílias que não pagam a renda social da sua habitação e que, em média, cada família, deve cerca de 2.400 euros.
Uma situação que não podemos aceitar, nem relevar. Estamos a falar de rendas de 20, 30 ou 40 euros que, simplesmente, não são pagas, e nem sabemos por que motivo.
Quando mais de mil famílias deixam de pagar e centenas acumulam dívidas durante mais de um ano, precisamos entender se estamos perante famílias que não conseguem pagar ou perante famílias que, podendo pagar, simplesmente não pagam?
Isso não é aceitável e é mesmo incompreensível. Se um qualquer cidadão deixar de pagar a prestação da sua casa ao banco, sofre logo consequências graves, correndo o risco de ficar sem casa.
Estamos perante uma situação não pode continuar sem que se endureçam acções de fiscalização e, principalmente, sem que se penalize, duramente, quem não cumpre com os contratos que assumiu, até por uma questão de respeito a quem é cumpridor e a quem precisa e não tem uma casa.
Nos Açores existem actualmente 251 candidaturas à espera de atribuição de habitação social. Ou seja, enquanto centenas de famílias aguardam por uma resposta habitacional, existem situações de incumprimento que se prolongam no tempo.
É preciso, por isso, acabar com a ideia de que exigir o cumprimento das regras é ser contra a habitação social. É precisamente o contrário.
Vivemos numa sociedade que apoia, em bem, quem precisa, mas, em troca, cada agregado familiar deve cumprir com as suas obrigações, no mínimo! Pois, o incumprimento sistemático e deliberado cria uma profunda injustiça para quem trabalha, faz sacrifícios e paga a sua renda todos os meses.
Enquanto não existirem consequências efectivas, para quem não cumpre, cria-se um sentimento de impunidade e descredibiliza-se todo o sistema de habitação social, prejudicando, precisamente, as famílias que aguardam uma oportunidade para aceder a uma habitação condigna.
Precisamos de firmeza por parte do Governo Regional, pois assim, não podemos continuar. Sem dúvida, que o Estado e as entidades públicas devem apoiar quem realmente precisa, mas também devem garantir mecanismos eficazes de cobrança, fiscalização e responsabilização dos incumpridores.
Olivéria Santos
Deputada do CHEGA Açores