13/06/2026
O ESPÍRITO SANTO É DO POVO
Por todas as ilhas dos Açores, são muitas as festas do Espírito Santo que acontecem nas várias freguesias, vilas ou lugares do arquipélago.
Estamos a falar numa das tradições religiosas mais bonitas e significativas da cultura açoriana, com momentos de profunda devoção, alegria e união entre as comunidades.
O que torna essas festas tão especiais é a combinação de fé, cultura e convivência e, acima de tudo, o facto de serem festas do povo e para o povo. Durante os diversos impérios, as pessoas e os mordomos reúnem-se para celebrar as suas histórias e fortalecer os laços de amizade e solidariedade. Para além das cerimónias religiosas, como as coroações ou a reza do terço, também assistimos a muita partilha do pão, da massa, da carne, do vinho de cheiro, do arroz-doce e das sopas do Espírito Santo que são parte integrante de todas as festas do Espírito Santo, bem como a música dos foliões e o Hino do Espírito Santo que se ouve repetidamente.
Nestas festas, não há distinção de estatuto social, ideologia ou condição económica: todos participam, todos pertencem e todos gritam com alegria: “Viva ao Divino Espírito Santo!”
É precisamente por esta natureza agregadora e espiritual que estas festas devem ser preservadas de qualquer tentativa de instrumentalização política. “A César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus”.
Preocupa-me que se tente associar a esta tão bonita tradição algumas agendas políticas ou, até mesmo, que alguns organismos institucionais, organizem uma destas festas. Deixem que seja o povo, como sempre foi, o organizador de cada festa, de modo a não se desvirtuar o verdadeiro significado destas celebrações.
As Festas do Espírito Santo não são, e não devem ser, comícios, nem palcos de afirmação partidária. São momentos de recolhimento, de partilha genuína e de reafirmação de uma identidade cultural que pertence ao povo açoriano, não a partidos, ou a projectos políticos.
Não entender isso, é desrespeitar a sua dimensão espiritual e é ignorar aquilo que verdadeiramente representa para milhares de açorianos: um espaço de encontro, de fé e de igualdade.
Não estou com isso a dizer que se deve afastar a presença de representantes públicos, óbvio que não, mas que seja uma presença discreta, respeitosa e desprovida de qualquer intenção de protagonismo.
As Festas do Espírito Santo devem ser protegidas para que permanecem vivas por muitas e muitas gerações.
Olivéria Santos
Deputada do CHEGA Açores