27/06/2026
Texto de Autor Desconhecido...
Honra e Glória aos Combatentes do Ultramar: O Silêncio não Apaga o Vosso Valor
Há páginas da nossa História que não podem ser reescritas pela conveniência do tempo ou pelo esquecimento institucional. Durante 13 longos anos (1961–1974), milhares de jovens portugueses partiram rumo ao desconhecido, deixando para trás as suas famílias, as suas terras e a sua juventude. Foram servir a Pátria no Teatro de Operações do Ultramar — em Angola, na Guiné e em Moçambique.
Nas condições mais adversas, sob climas extremos e perigos constantes, estes homens souberam manter-se firmes. Demonstraram uma resiliência extraordinária face aos dissabores da vida, à distância, à dor da perda de camaradas e às marcas indeléveis que a guerra gravou nos seus corpos e nas suas mentes. Não escolheram a guerra; cumpriram o seu dever com uma coragem e uma lealdade que merecem o respeito eterno de toda a nação.
No entanto, a história do pós-25 de Abril trouxe consigo uma profunda injustiça. Ao contrário de outros países soberanos, que souberam erguer os seus veteranos como símbolos máximos de respeito, orgulho e assistência, o poder instituído em Portugal optou, demasiadas vezes, pela via do esquecimento e do abandono. Aqueles que deram tudo de si foram empurrados para a penumbra de uma narrativa política que confundiu o regime da época com o sacrifício legítimo do soldado na frente de combate.
Ver o sofrimento de tantos antigos combatentes ser ignorado — seja na falta de apoio psicológico para o trauma de guerra, seja na ausência de pensões e apoios sociais dignos — é uma mágoa que o tempo não apaga. É uma dívida moral e histórica que o Estado Português continua a falhar em liquidar plenamente.
Aos nossos veteranos, aos que regressaram com cicatrizes visíveis e invisíveis, e aos que lá tombaram e cujo sangue regou aquelas terras distantes: Nós não vos esquecemos.
A vossa bravura na frente de batalha e a vossa dignidade no regresso a casa, mesmo perante a indiferença dos palácios do poder, são o verdadeiro testemunho do que é ser Português.
Às Forças Armadas Portuguesas de então, à memória dos que partiram e à força dos que ainda hoje mantêm viva a chama da camaradagem: a nossa mais profunda vénia. O poder político pode ter falhado, mas o vosso povo sabe quem vós sois.
Honra e Glória aos Antigos Combatentes de Portugal!