28/07/2026
“Portugal precisa de uma nova estratégia para a competitividade”: especialistas e decisores debatem desafios económicos a partir do Porto
Porto, 24 de julho de 2026 – A competitividade da economia portuguesa, a capacidade de atrair investimento, o fortalecimento do tecido empresarial e a necessidade de reformas estruturais estiveram no centro do debate “Porto em Debate – Economia, Competitividade e Tecido Empresarial”, realizado na passada sexta-feira no Porto Innovation Hub, numa iniciativa promovida pelo partido CHEGA.
Embora centrado nos desafios do distrito do Porto, o encontro rapidamente evoluiu para uma reflexão sobre os principais obstáculos ao crescimento económico de Portugal, reunindo diferentes perspetivas sobre as políticas necessárias para tornar o país mais competitivo, produtivo e atrativo para o investimento.
A sessão contou com a participação do Presidente do CHEGA, André Ventura, do Vereador do CHEGA da Câmara Municipal do Porto, Miguel Corte-Real, de Vasco Varela, CEO para a Europa do Grupo Emles Advisors, de João Saracho – Diretor Geral da Solida Capita Europa e Célia Reis – Inspetora Tributária, sob moderação de Pedro Faria.
Ao longo do debate foi consensual a ideia de que Portugal enfrenta desafios estruturais que condicionam o crescimento económico, desde a reduzida dimensão média das empresas e os baixos níveis de produtividade e salários, até à excessiva burocracia, à pesada carga fiscal sobre a atividade económica, à dificuldade em atrair investimento e à perda de talento qualificado.
Os intervenientes defenderam que o reforço da competitividade nacional exige uma visão de longo prazo, capaz de criar um ambiente favorável ao investimento privado, à inovação, à internacionalização das empresas e à criação de emprego qualificado.
Foi igualmente destacado que o desenvolvimento económico sustentável depende da capacidade de transformar conhecimento em valor acrescentado, acelerar processos de licenciamento, promover a simplicidade e estabilidade regulatória, reduzir substancialmente a carga fiscal e criar condições para que as empresas possam crescer, competir internacionalmente e oferecer melhores salários.
Vasco Varela sublinhou que Portugal precisa urgentemente de crescer e para tal terá de fazer as reformas estruturais.
“Portugal só será atrativo ao investimento e só será empreendedor, com menos Estado e se fizer as reformas do estado, a simplificação da burocracia, a reforma fiscal e a reforma da Justiça”.
Célia Reis enfatizou a necessidade de uma reforma profunda relativamente aos impostos sobre as empresas.
Face à excessiva carga fiscal que pende sobre o tecido empresarial português e que tem cerceado a competitividade fiscal do país, enfatizou a necessidade de uma reforma profunda relativamente aos impostos sobre as empresas – que aproxime a contabilidade da fiscalidade e simplifique o cumprimento das obrigações fiscais. Continuou apelando à necessidade de um sistema fiscal estável como instrumento incentivador do investimento e desenvolvimento económico.
João Saracho que saiu de Portugal aos 23 anos, trouxe à discussão a perspetiva da geração que emigrou e sublinhou que a captação de talento depende de reformas concretas no plano fiscal e administrativo.
“Se queremos atrair e reter talento, a simplificação e a redução do IRS não são um luxo — são a condição de partida. O talento vai para onde é bem tratado”, afirmou, apontando o exemplo de vários países de Leste que cresceram nas últimas duas décadas muito acima da média europeia por terem apostado em sistemas fiscais simples, previsíveis e competitivos. João Saracho destacou ainda o peso da burocracia como travão ao investimento, dando como exemplo o licenciamento no setor imobiliário. “A morosidade e a imprevisibilidade dos processos são das principais causas de os preços das casas estarem tão caros. Quem investe paga o custo do tempo, e esse custo acaba refletido no preço final para as famílias”, observou, defendendo que desburocratizar o Estado é, por si só, um incentivo ao investimento.
Miguel Corte-Real, vereador da Câmara Municipal do Porto e ministro sombra da Reforma do Estado do Chega, apontou a burocracia e o excesso de regulamentação como os principais entraves à competitividade e ao crescimento económico do país. Durante a sua intervenção, o autarca criticou o PS e o PSD pelo histórico de governação dos últimos 50 anos, acusando os dois partidos de rejeitarem propostas transformadoras e de rotularem as medidas do CHEGA como irresponsáveis, apesar de serem os principais responsáveis pelas sucessivas bancarrotas em que Portugal incorreu.
O partido CHEGA enfatiza a necessidade de aproximar o poder político da realidade empresarial, promovendo um diálogo permanente entre decisores públicos, empresários, investidores e especialistas, como condição essencial para a definição de políticas públicas orientadas para resultados concretos.
O evento integrou um ciclo de debates dedicado às principais questões estratégicas para o desenvolvimento económico, procurando contribuir para uma discussão alargada sobre o futuro da economia portuguesa e sobre as medidas necessárias para reforçar a sua competitividade.