22/04/2024
Meus caros amigos,
Peço desculpa pela minha ausência prolongada destas redes sociais, mas infelizmente o trabalho honesto e dedicado, do qual muito me orgulho e que me dignifica, não me tem deixado muita disponibilidade.
Decidi vir agora aqui, de passagem, porque sinto que devo a cortesia de informar todos quantos sempre me apoiaram, que a partir deste momento, deixo de ser militante do CDS, porque simpatizante, já há dois ou três anos que não o era. Nas vésperas do que popularmente se designa como "Dia da Liberdade", decidi exercer a única que verdadeiramente possuímos: a de pensamento. Continuo a considerar a Declaração de Princípios do CDS de 1974 um dos mais notáveis documentos políticos dos últimos 50 anos e mantenho a admiração e orgulho, como português, nos 16 deputados que a 2 de Abril de 1976, tiveram a frontalidade de votar contra a Constituição socialista portuguesa. Mas desse CDS, o que resta é uma lápide tumular que os Sociais Democratas toleram entre as suas hostes. Em suma, de um partido livre e independente, com valores, princípios e coluna vertebral para os defender, o CDS é, neste momento, um partido pedinte e parasita. Não é para mim.
Sou um professor de excelência, muito imperfeito, mas exemplarmente dedicado ao meu trabalho e aos meus alunos, sou um cidadão que faz do trabalho sério e do cumprimento dos seus deveres a sua honra. Tudo o que tenho é o fruto do meu trabalho e não o furto do trabalho dos outros e não preciso de partidos, ou fracções de partidos, para nada.
Que fique, aliás, bem claro, que foi o CDS que me veio chamar e convidar para o partido, não o contrário.
Também não me falta auto-estima ou orgulho próprio (há quem diga até que peco por excesso dessas coisas), pelo que não preciso da aprovação alheia. Ao contrário dessa gente, não ando às costas de ninguém, caminho pelos meus próprios pés e de cabeça bem levantada, desafiante e belicosa, e só à minha impoluta consciência devo satisfações. Desde que fui convidado a meter-me nestes assuntos da política (que deveria ser dos mais nobres exercícios de cidadania, contrariamente ao que é o exemplo vulgar) ainda não a traí e não me desviei um milímetro dos meus valores e princípios. Não faço concessões ou compromissos em questões de honra e nunca o farei.
Aos povoacenses, eu defendo esta terra (a Povoação primeiro!) e não um partido qualquer, pelo que fique bem claro que cumprirei o meu madato até ao fim e com ainda maior empenho, porque me considero livre de entraves.
Esclareço, também que, apesar de ser o único militante do CDS eleito por este partido para algum cargo na ilha de S. Miguel, ninguém dos órgão regionais CDS-Açores alguma vez me apoiou em nada, pelo contrário só causaram entraves e prejuízos. Ninguém me apoiou na formulação da candidatura, ninguém esteve presente no seu lançamento, ou durante a campanha e ninguém sequer me endereçou os parabéns quando fui eleito. Fui sempre eu a defender aqui sozinho o partido e nunca o contrário. Era o que mais faltava que agora, a minha desfiliação de uma entidade irrelevante para qualquer povoacense, como o CDS, tivesse agora a mínima influência em algo tão sério como o exercício de funções na Assembleia Municipal da Povoação.
Daqui a poucos dia, sou, também eu, um cavalheiro de meia idade e com o andar dos anos e o diminuir do tempo útil de vida, passa a ser de extrema pertinência largar lastros e caminhar leve e solto, porque casa momento de vida é precioso demais para se perder tempo com pesos mortos. Assim, vou mas é:
- Preparar a reunião da Assembleia de Escola.
- Preparar cadernos eleitorais para as eleições do Conselho Executivo da EBS da Povoação.
- Corrigir trabalhos de alunos.
- Terminar a síntese informativa sobre "Os Maias" para os meus alunos estudarem.
- Ler e analisar a proposta de Regulamento de Criação e Aplicação de Taxa Turística para o Concelho da Povoação (algo a que à partida me oponho).
Tudo coisas mais importantes que o assunto CDS.
"Bêses e Cadeuses" :D