23/11/2024
🗞️ RECORTE DE IMPRENSA - JSD PRAIA DA VITÓRIA
𝙀𝙣𝙩𝙧𝙚 𝙤𝙨 𝘾𝙧𝙖𝙫𝙤𝙨 𝙚 𝙖𝙨 𝙈𝙚𝙢𝙤́𝙧𝙞𝙖𝙨 𝙋𝙚𝙧𝙙𝙞𝙙𝙖𝙨
O 25 de abril, uma data histórica em Portugal por inaugurar ideais até então esquecidos e/ou desvalorizados, por defender e prometer os valores da democracia como a conhecemos hoje, por lutar pela liberdade, pela igualdade e pela dignidade de cada qual.
Por oferecer voz à mulher, por oferecer liberdade de expressão aos trabalhadores, por devolver a espontaneidade à cultura, por oferecer a nacionalização de setores estratégicos, como bancos, seguros e empresas, por oferecer aos portugueses um serviço nacional de saúde, entre as demais conquistas.
Este é hoje, um marco inigualável para o país, um dia que festeja a unidade e a memória nacional, relembrado através de discursos e celebrações oficiais que levam partidos e agentes políticos a discursarem e enaltecerem o tema da liberdade e da igualdade, quando, na verdade, a sua conduta carece de tais valores. De facto, no decorrer
da História, certas personalidades e partidos políticos sempre prevaleceram esta forma de
agir, aproveitando a possibilidade de g***r de tais valores para benefício individual e não para benefício coletivo. O contrário do que defende a maior conquista desta data: a Democracia.
Neste sentido, e de acordo com esta linha de pensamento, destaco Otelo Saraiva de Carvalho, um suposto defensor dos valores de abril, mas que no 25 de novembro defende precisamente o contrário. Ora, depois do chamado Verão Quente de 1975, Portugal chegava a novembro à beira de uma Guerra Civil, culminando numa tentativa
de sublevação de unidades militares de extrema-esquerda que tomam variados pontos estratégicos em Lisboa. De um lado tínhamos Saraiva de Carvalho, que chefiava o COPCON, e do outro lado a “direita militar” chefiada por Ramalho Eanes, preparada para um possível contragolpe.
A Revolução dos Cravos depôs o Regime Autoritário, no entanto, e como se veio
a verif**ar, não consolidou a Democracia. O 25 de novembro põe fim ao PREC - um período de avanços, porém, de tensão e de incertezas - devolve a estabilidade, a paz, e perpetua a liberdade prometida na anterior Revolução, pois sem o 25 de novembro a ditadura iria permanecer, só que, sob demanda do espectro político radical contrário. Esta data f**a esquecida na memória dos portugueses, ou por falta de músicas de intervenção, ou por não ter o mesmo apelo emocional, ou até mesmo por necessidade de certos agentes políticos de a ocultarem da História, no entanto, a história só se deixa ocultar por aquele que não a procura. Partidos que propõem o fim desta celebração anual, esvaziam a
relevância política de tal momento histórico e perpetuam um sistema de memórias perdidas e ocultas. De facto, pode não ser um dia que inspire canções de intervenção, mas mostra-nos que a História nem sempre é feita de consensos, e
perpetuar o esquecimento deste marco é puramente uma escolha política e cultural, que pretende ignorar a importância da diversidade de vozes na luta pela liberdade e pela Democracia. Por valorizar o 25 de novembro não devemos desvalorizar abril, pelo contrário, torna-nos
mais conscientes historicamente e cientes das etapas pela conquista e defesa da liberdade,
etapas estas que nem sempre, para alguns, serão fáceis de celebrar.
Uma democracia que não (re)conhece as suas complexidades e a sua história corre o risco
de esquecer o quanto custou a sua conquista
Beatriz Meneses
Vice-Presidente JSD Praia da Vitória