04/02/2019
Calheta merecia um pouco mais
(Intervenção proferida na sessão da Assembleia Municipal da Calheta no passado dia 27 de Novembro)
O Grupo Municipal do PSD desta Assembleia entende que deve tomar posição através desta figura de “Declaração Política”, nesta sessão, sobre algumas questões mais recentes do Concelho da Calheta.
Começamos por reafirmar a nossa total discordância pela forma leviana, e pouco transparente, como foi orientada a obra de alargamento e protecção da orla marítima, junto à Escola da Calheta.
Aliás, quando tomámos conhecimento que esta obra era da responsabilidade da Câmara Municipal, curiosamente através das redes sociais, apressámo-nos em chamar à atenção do senhor Presidente para a irresponsabilidade que era intervir naquele local, sem se realizar um estudo e um projecto que permitisse executar a obra com segurança.
Assumindo que a Câmara possuía a necessária autorização para intervir naquela zona, o senhor Presidente afirmou que tinha confiança absoluta nesta obra.
O grupo municipal do PSD chamou, no entanto, à atenção para aquilo que poderia vir a acontecer. E não foi necessário esperar muito tempo. Na primeira vez que o molhe de protecção foi posto à prova, falhou completamente, pois o mar começou a galgar a estrada municipal, num sítio por onde nunca antes tinha acontecido.
Nessa sequência, a Câmara tentou emendar o erro, depois de alertada por nós, mandando reforçar o molhe, em altura, com pedras de tamanho muito significativo, para que a situação não se repetisse.
No entanto, há poucos dias, esta obra voltou a demonstrar as suas fragilidades, quando o mar galgou o molhe e conseguiu, inclusivamente, arrastar contentores que se encontravam no interior do terrapleno.
Presumimos que as pessoas envolvidas talvez já tenham percebido o problema em que se meteram.
Não temos dúvidas das boas intenções da Câmara neste processo, mas já não podemos dizer o mesmo relativamente ao sentido de responsabilidade desta autarquia que tem vindo a dar sinais preocupantes de alguma insensatez.
Não é assim que as coisas devem acontecer. Não é no plano do “desenrascanço” que uma autarquia deve trabalhar.
Este projecto é importante demais para a Calheta, para ser gerido em cima do joelho.
Reafirmamos que aquela obra não está adequada, pelo menos em termos de segurança, para aquele local.
E, porque também compete a esta Assembleia tomar posição sobre as acções da Câmara, sob pena de ser também responsabilizada por esta obra, vamos apresentar, já de seguida, uma Proposta que tem como objectivo emendar o erro enquanto é tempo, pois a obra ainda está a decorrer, e a tempo de ser alterada, se esse for o entendimento da Câmara, aconselhada por técnicos credenciados para o efeito.
Depois, ainda sobre a protecção da orla marítima, queremos manifestar aqui o nosso constrangimento pelo facto de o Governo Regional, mesmo depois de ter sido também alertado pelos autarcas do PSD, ter executado, também de forma irresponsável, o muro de consolidação do talude junto ao Campo de Futebol.
Só quem não conhecia aquela zona poderia interpretar que um muro, como aquele que foi executado, sem adequados alicerces e de pedra sobre pedra, poderia resistir à força do mar.
Também não foi por falta de ser alertado, mas talvez por deficiente aconselhamento de alguns empreiteiros que, naquela ocasião, se encontravam mais próximos do “poder”.
Acresce ainda a este assunto, o nosso protesto pelo atraso que começa a ser preocupante, na obra prometida: a protecção da orla marítima entre a Fábrica Santa Catarina e o Campo de Futebol.
Senhoras e senhores deputados municipais
Estamos no final do ano de 2018. A Câmara da Calheta propôs-nos, há um ano atrás, um Plano com um Orçamento superior a 5 milhões de euros. Se bem se lembram, com um valor superior a 1 milhão para investimentos, o qual foi aprovado nesta Assembleia.
Sobre este assunto, seria interessante fazermos, todos, uma pequena reflexão, preferencialmente silenciosa, sobre onde foram investidos esses valores.
Reconhecemos que alguns locais foram bastante beneficiados, como por exemplo a Fajã da Saramagueira. Reconhecemos ainda a beneficência das inúmeras pavimentações (e não vamos utilizar o termo que corre por aí de “pavimentações eleitorais” porque algumas delas resolveram problemas a algumas famílias que não tinham meios para pavimentar o seu reduto).
Muito dinheiro foi investido. Mas, quando falamos em investimento público em obras de interesse colectivo, não conseguimos ver nada de novo, nada que se pareça com o que vemos noutros concelhos.
Será que esta Câmara anda de tal forma desorientada que nem sabe onde investir? Sim, porque dinheiro não falta, segundo dizem os seus responsáveis municipais.
Outro assunto que não podemos deixar passar é o facto de ainda não termos conseguido vislumbrar os projectos que, segundo o senhor Presidente, “já se encontravam executados há mais de um ano”, dizia ele ainda no anterior mandato.
Aliás em Fevereiro, perguntámos se existiam, ao que nos respondeu que sim.
Em Abril, avisámos que os íamos pedir para terem tempo de emendar a mão.
Em Junho, solicitámos que nos fossem mostrados na sessão de Setembro.
Em Setembro, perguntámos pelos projectos e foi-nos comunicado que tinha havido um atraso mas que antes de meados de Outubro nos iriam chamar para vermos esses projectos.
Senhoras e senhores deputados, estamos a 28 de Novembro e a Câmara nem conseguiu aproveitar todo este tempo que lhes demos para não ficarem mal.
O que dizer de tanto desleixo e de tantas faltas à verdade?
Permitam-nos agora que façamos uma abordagem a um outro assunto. Este sim, também um pouco melindroso, para quem respeita democraticamente os órgãos deste Município.
A correcção e confiança entre dois órgãos do mesmo município deve ser apanágio de todos os autarcas.
A Câmara deve respeitar as decisões da Assembleia bem como o seu contrário. Cada um com as competências previstas na legislação.
Vem este assunto à coacção porque a Câmara tem a obrigação de acatar, sempre que possível, as recomendações aprovadas nesta Assembleia Municipal.
Só em condições excepcionais, poderá não fazê-lo, mas nunca sem prestar uma satisfação e uma justificação pertinente que seja compreendida por todos.
Caso contrário, quando uma Câmara não acata uma decisão da Assembleia, sem previamente lhe dar uma satisfação clara e comprovada, é um sinal claro de desrespeito institucional, de ausência de sentido democrático ou até mesmo de falta de respeito pelos membros que compõem esta Assembleia.
Ora, se bem se lembram, no passado mês de Setembro, a Assembleia Municipal deliberou recomendar à Câmara que o Plano e Orçamento para 2019 fosse preparado com uma previsão de valores que correspondessem à Taxa Mínima do IMI.
Claro que, se o órgão que tem a competência de fixar a Taxa de IMI, toma uma deliberação destas, será naturalmente porque existe uma intenção clara da maioria dos senhores deputados municipais em fixar a referida taxa nos valores mínimos. Outra coisa não se poderia esperar.
Estranhamente, a Câmara não respeitou esta decisão e resolve apresentar o documento com a taxa que entende, numa demonstração clara de desrespeito por esta Assembleia.
Trata-se de um acto perfeitamente antidemocrático, revelador de uma enorme falta de respeito por cada um dos presentes.
Aliás, têm sido várias demonstrações deste desrespeito, pois as recomendações aprovadas são vulgarmente remetidas para o esquecimento.
A pergunta que fazemos a cada um de vós, senhores deputados municipais, é muito simples.
Os senhores sentem-se bem a fazer este papel? O de aprovar uma determinada decisão e a Câmara fazer tábua rasa dessa posição?
Não se importam que alguém ponha em causa a qualidade da vossa participação nesta Assembleia?
E não vale a pena dizer que não é bem assim, pois para que não fiquem dúvidas existem muitas outras situações semelhantes.
Por exemplo, decidimos todos que a Câmara nos devia mostrar os projectos (acabados e inacabados) na sessão de Setembro. E a Câmara não cumpriu.
Decidimos todos que a Câmara deveria alargar a estrada junto à Casa do Sr. Franquelim, antes do verão passado. E a Câmara não cumpriu.
Decidimos todos sobre os antigos tanques de combustível, sobre a prometida estrada da curva do lacete, sobre o polidesportivo da Ribeira Seca, sobre a antiga Escola do Norte Pequeno... E a Câmara não cumpriu.
Afinal, quando lá fora (ou até mesmo aqui dentro) as pessoas nos perguntarem o que estamos aqui a fazer, talvez fosse mais interessante que todos tivéssemos uma boa resposta para dar…
Por fim, veja-se o exemplo e o respeito desta Câmara. Aprovámos, por unanimidade, um voto de Congratulação pelo septuagésimo quinto aniversário da Cooperativa dos Lourais e a realização de uma homenagem, no Feriado Municipal (que deveria ter acontecido domingo passado) com a atribuição de uma insígnia de Mérito Municipal àquela instituição. E a Câmara não cumpriu.
Perante tudo isto, o que podemos dizer?
Será que queremos fazer esta figura? De uma Assembleia que não se faz respeitar e de um órgão que vem aqui ganhar umas senhas de presença para se limitar a abanar com a cabeça? Não foi para isso que fomos eleitos, certamente.
Da nossa parte, isso não vai acontecer de certeza, mas, como é natural, queremos respeitar todos os senhores deputados, mesmo que existisse aqui alguém que prefira obedecer cega e silenciosamente às atitudes desrespeitadoras que a Câmara Municipal tem vindo a demonstrar para com esta Assembleia.
Obrigado pela atenção
Os deputados municipais do PSD