18/12/2025
A Austrália passou a proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos. As plataformas, entretanto, já começaram a excluir as contas criadas por eles (porquê só agora?…) e passarão a solicitar aos utilizadores que decidam criar novas contas que comprovem a sua idade. A lei não impede, todavia, que esses menores possam consumi-las sem estarem registados, nem define sanções para os pais ou outros adultos que os auxiliem a ter acesso às redes sociais.
É claro que a utilização de redes sociais marca um antes e um depois nos comportamentos adolescentes, com consumos obsessivos, em tudo semelhantes a uma adição, o que faz que, quando são privados dessa relação, sejam descritas atitudes de agitação, de irritabilidade e de violência semelhantes a uma espécie de “desintoxicação a frio”.
As mudanças registadas no comportamento dos adolescentes, depois de acederem a redes sociais, são inequívocas. Com maior impulsividade, mais distracção e mais hostilidade. E com alterações do comportamento e da imagem do corpo e da auto-estima, com menor abertura à diferença e com perturbações mais exuberantes da sua identidade.
Em muitos dos conteúdos, sem controle e sem contraditório, que colocam à disposição dos adolescentes (pornografia, violência, conteúdos radicais, misoginia, jogos de azar, etc.), as redes sociais são um atentado ao equilíbrio e à saúde mental dos adolescentes! E, pior, alimentam uma visão narcísica sobre o mundo e as pessoas que deriva dum algoritmo que lhes mostra, a todo o momento, que os seus pontos de vista são o que está certo.
Faz sentido que as redes sociais definam os 16 anos como a idade recomendada para o seu uso e, ao mesmo tempo, aceitem crianças de todas as idades? Não!
Faz sentido que os estados se demitam de regular idades e conteúdos das redes sociais? Muito menos!
Faz sentido que se proibida o acesso às redes sociais por adolescentes até os 16 e, ao mesmo tempo, as consequências para o seu consumo sejam nenhumas? Menos, ainda.
Fas sentido que nos sintamos descansados com adolescentes que permanecem em casa, fechados nas redes, e nos alarmemos sempre que eles saem com amigos que os pais conhecem? É claro que não!