Movimento Não às Minas - Montalegre

Movimento Não às Minas - Montalegre Movimento cívico apartidário em defesa do património de Montalegre (PNPG, Reserva da Biosfera e SIPAM).

Foco atual na salvaguarda do território perante as concessões da Borralha e do Romano.

A Borralha tem direito à verdade«Na sequência da sessão de esclarecimentos realizada pela Minerália na passada quarta-fe...
14/08/2026

A Borralha tem direito à verdade

«Na sequência da sessão de esclarecimentos realizada pela Minerália na passada quarta-feira, dia 5 de Agosto, publicámos nas páginas do Movimento Não às Minas - Montalegre um relato do que aconteceu e das muitas perguntas colocadas pelos habitantes presentes. Foi uma sessão marcada pelas preocupações legítimas relativamente à água, às poeiras, à contaminação, ao futuro das aldeias, à saúde pública, às actividades agrícolas e aos impactes do projecto da Mina da Borralha. As perguntas foram feitas por pessoas que aqui nasceram e conhecem profundamente este território.

O artigo agora publicado por Avelino Pinheiro neste Jornal apresenta essas preocupações como “mentiras”, “desinformação”, “alarmismo” e “manipulação”, acusações graves que não podemos deixar sem resposta.

Temos acompanhado directamente os trabalhos de prospecção da Minerália desde 2023 e que decorrem actualmente com sete perfuradoras nas aldeias de Paredes e Borralha. Quatro encontram-se em terrenos de antigas escombreiras que o LNEG classificou como muito poluídos por metais pesados, onde temos assistido à emissão de poeiras e escorrências de águas.

Um estudo científico do LNEG e da Universidade de Aveiro, publicado em 2015, analisou amostras de solos e resíduos mineiros das antigas Minas da Borralha, após oito décadas de exploração mineira, e encontrou concentrações de vários metais e metalóides superiores aos valores de referência, com valores particularmente elevados de arsénio, cádmio, cobre, molibdénio, chumbo e zinco junto às instalações mineiras. O estudo alerta ainda para os riscos associados à ingestão e inalação de partículas finas provenientes desses materiais.»

Ler o texto completo, aqui:
https://www.diariodetrasosmontes.com/noticia/a-borralha-tem-direito-a-verdade

MINA DA BORRALHA: que economia queremos para Salto?O que está em causa com a Mina da Borralha, na freguesia de Salto, é ...
13/08/2026

MINA DA BORRALHA: que economia queremos para Salto?

O que está em causa com a Mina da Borralha, na freguesia de Salto, é também a transferência de uma economia de sustento, como é a economia agro-silvo-pastoril da região de Barroso, para uma economia de extracção mineral e de alteração dos solos. O que está em causa em Barroso, é o território que está ocupado com outras actividades económicas e, mais importante ainda, de forma ecológica.

Na freguesia de Salto produz-se cerca de 70% dos animais de raça Barrosã do concelho de Montalegre, uma raça autóctone desenvolvida neste território, que é o seu berço. Existem ainda inúmeras explorações agrícolas e pecuárias que produzem alimentos para uma economia que se estende muito para além das nossas aldeias, incluindo um mercado de produtos de qualidade e Gourmet que valoriza aquilo que é produzido na região de Barroso.

É precisamente este ponto que importa recordar quando se fala do interior como um território abandonado e improdutivo. A região de Barroso continua a produzir o que sempre produziu, mantendo e desenvolvendo a sua actividade agro-silvo-pastoril e colocando no mercado produtos de elevado valor, muitos deles certificados como DOP e IGP, como a Carne Barrosã DOP, o Mel do Barroso DOP, a Alheira de Barroso IGP, o Cabrito de Barroso IGP, o Cordeiro de Barroso IGP, o Presunto de Barroso IGP, o Salpicão e a Sangueira de Barroso-Montalegre IGP, batata de semente certificada, Batata de Trás-os-Montes IGP, entre outros.

Esta continua a ser uma economia que sustenta as populações, escolhida para continuar o legado ancestral e investir as suas vidas. Uma actividade actual e em desenvolvimento, com investimentos locais, nacionais e comunitários que não pode ser destruída para dar lugar a uma outra. Quando uma empresa mineira promete criar emprego e dinamizar a economia local, também temos de perguntar quantos dos empregos e das actividades económicas que já existem poderão ser afectados pela transformação do território, pela alteração dos solos, pela utilização da água e pelos impactes ambientais da exploração.

Na Borralha conhecemos bem esta história. A antiga exploração mineira deixou terrenos degradados e famílias inteiras que abandonaram actividades agrícolas nas várias aldeias das imediações. Hoje, a Minerália pretende avançar novamente sobre este território, incluindo áreas agrícolas e baldios de várias aldeias da freguesia de Salto (Montalegre) e Campos (Vieira do Minho). Enquanto os trabalhos de prospecção já estão a provocar preocupações relacionadas com poeiras e contaminação em zonas onde existem actividades agro-pecuárias, nas aldeias de Borralha, Paredes e Caniçó.

A riqueza deste território está nos solos que os nossos antepassados trabalharam e construíram ao longo de milénios, nos lameiros, nos baldios, nos animais, na produção de alimentos e nos produtos que daqui saem e que são valorizados muito para além da região SIPAM, em perfeita simbiose com a natureza desta reserva da biosfera que é Montalegre.
É esta economia que está em risco e que não pode ser apresentada como se fosse inexistente ou improdutiva para justificar a chegada de uma indústria extractiva multimilionária.

Nós defendemos o direito de continuar a viver, produzir e investir na nossa terra, protegendo-a.

Não à Mina da Borralha.
Não às Minas!
Foto: © Egídio Santos @ Gado da raça Barrosã na freguesia de Salto

“Nós somos a Montanha” 🌿Na próxima terça-feira, dia 11 de Agosto, o Colectivo Teatro Florestal (.theater.collective) apr...
08/08/2026

“Nós somos a Montanha” 🌿

Na próxima terça-feira, dia 11 de Agosto, o Colectivo Teatro Florestal (.theater.collective) apresenta a peça de teatro de rua “Nós somos a Montanha”, na aldeia de Minas da Borralha.

Um momento cultural que acontece num território que continua a ser invadido pela Minerália e onde a nossa luta pela preservação da terra, da água e da vida permanece mais necessária do que nunca.

A quem puder estar presente, seja muito bem-vindo!

🗓️ 11 de Agosto de 2026
🕢 19h30
📍 Largo do Bairro Novo, Minas da Borralha, Montalegre
📌 Coordenadas: 41.656756, -7.977570

Para conhecer o trabalho do Colectivo Teatro Florestal:
📲 Instagram: .theater.collective

Não à Mina da Borralha!
Não às Minas!

Sessão de esclarecimentos da Minerália na BorralhaEstão, neste momento, sete perfuradoras em trabalhos de prospecção nas...
06/08/2026

Sessão de esclarecimentos da Minerália na Borralha

Estão, neste momento, sete perfuradoras em trabalhos de prospecção nas aldeias de Paredes e Borralha. Quatro perfuradoras continuam em terrenos que o LNEG classificou como muito poluídos por metais pesados.

Enquanto isso, ontem, dia 05 de Agosto, a Minerália fez uma “sessão de esclarecimentos” informal nos seus escritórios, a pedido de um grupo de pessoas da aldeia da Borralha, bastante preocupados com tudo o que se tem passado com este projecto e com o suporte e conivência das entidades locais e nacionais.

Na sessão, esteve presente o Avelino Pinheiro, membro das empresas Minerália e da sua subsidiária Allied Critical Metals, apresentando-se no website desta última como “geólogo de exploração mineira com experiência em ouro, lítio, tungstênio e sistemas VMS. Lidera programas de mapeamento, perfuração e controle de qualidade (QA/QC) e contribui para a elaboração de relatórios em conformidade com as normas NI 43-101 e PERC.”

No entanto, para os presentes, o Avelino Pinheiro apresenta-se como Professor de Biologia/Geologia, convidado para contribuir para o projecto da Minerália, mas refere não ser esta a base da sua sobrevivência, referindo mesmo “eu não preciso disto para nada, tenho outra profissão”.

A sessão é iniciada, não com a explicação do projecto, mas para aliciar os presentes para a exploração mineira neste território Sistema Importante do Património Agrícola Mundial e Reserva da Biosfera, de onde se destaca a seguinte citação:

«Não há ferro, não há cobre (…), não há carros, não há tablets sem minas. (…) Nós compreendemos que têm de existir minas, para a maneira como nós vivemos na nossa sociedade, têm de existir minas, não há hipótese. É a mesma coisa que eu estar aqui a dizer que sou contra a agricultura, é exatamente a mesma coisa. Alias, para águas poluídas, a agricultura polui mais as águas do que as minas modernas (…).»

Em toda a sessão houve muitas questões, excelentes questões e motivo de orgulho para todos os Barrosões, neste grupo de pessoas da aldeia da Borralha, pela coragem de questionar e de procurar respostas perante argumentos que, na percepção dos presentes, procuravam convencê-los dos benefícios do projecto. Houve, inclusive, a exposição da origem deste projecto da Minerália, com raízes no Prof. Fernando Noronha, actualmente consultor da empresa, relacionado com a empresa já há décadas, juntamente com autarcas e o actual dono do antigo espólio mineiro, onde esta concessão se insere e desenvolve.

As questões foram abordadas de forma que os presentes consideraram paternalista e, por vezes, sentiram como estratégias de pressão, deixando o grupo presente insatisfeito pelas incongruências. Avelino Pinheiro afirmou, inclusive, que a água da Ribeira de Amiar ficará ainda melhor do que o que está neste momento, quando a exploração avançar. Afirmou que as queixas relativas às poeiras emitidas pela Minerália durante as prospecções, em terrenos que o LNEG classificou como muito poluídos com metais pesados, são mentira e que as pessoas não sabem do que falam. Prometeu um investimento de 400 000 € por ano, já aprovados pela empresa-mãe, para investir na comunidade. Disse também que têm interesse em contratar os Bombeiros de Salto para também beneficiar a comunidade com isso, referindo mesmo “nós temos gosto de os ajudar, comprar água aos Bombeiros para que eles ganhem dinheiro com isso”. No entanto, foi referido que a Minerália não precisaria de ajuda dos Bombeiros, uma vez que têm água com abundância do -60 ao -210 das antigas galerias da Brecha de Stª Helena. Refere que a água na “galeria do esgoto do -60 tem um caudal no Inverno de 200 litros por segundo. De Verão tem à volta de 30 litros por segundo. Tem água que chegue e que sobre para tudo e mais alguma coisa.” Refere ainda que não há impactes nenhuns na futura exploração e dá como exemplo a uma das senhoras presentes: “é como você estar a cozinhar com uma panela e dizer que impacte é que esta massa que estou aqui a fazer tem na banca”. Refere que “isto é uma indústria altamente e tecnologicamente avançada, se houver alguma fuga avisa logo na hora”.

Dos presentes, houve comentários como “de promessas estamos nós cheios”, ou “nós temos certezas do contrário daquilo que nos está a dizer”, ou “isto é tudo uma brincadeira, nós não somos ninguém, que temos aqui famílias instaladas há 100 anos ou mais”, ou ”nós, claramente, estamos aqui porque não acreditamos nisso”, ou “investimento na comunidade: Bombeiros e Lar, agora Borralha zero”, ou ainda “vocês garantem tudo, mas depois no fim… é o que acontece no extrativismo minerador a nível mundial”, ou mesmo “nós estamos atentos aquilo que vocês estão a fazer”, ou mesmo “ele agora está-nos a dar a volta ao cérebro”. Acima de tudo, houve muitas preocupações relativas à contaminação e ao abastecimento de água às populações.

Houve abertura para uma sessão de esclarecimentos pública, mas os presentes sentem não ser necessário repetir as mesmas palavras não para informar as populações, mas só com o objectivo de moldar o pensamento do outro.

É precisamente esta abordagem que nos merece preocupação. Quando uma empresa procura apresentar os benefícios de um projecto mineiro às populações directamente afectadas, através de promessas de investimento, apoios à comunidade ou garantias sobre os seus impactes, entendemos que é legítimo questionar se estamos perante verdadeiro esclarecimento ou perante uma tentativa de obter aceitação social para o projecto.

É também por isso que falamos em engenharia social: não como uma acusação sobre as intenções individuais de quem participou na sessão, mas para descrever uma estratégia que, na nossa perspectiva, procura influenciar a percepção das populações relativamente a um projecto que terá consequências directas sobre o território onde vivemos.

Não precisamos que nos convençam a aceitar uma actividade que irá destruir novamente o nosso território. Precisamos de respostas claras, fundamentadas e verificáveis sobre aquilo que está em causa.

Nós, população da freguesia de Salto e todos os que somos afectados por este projecto, estamos atentos, continuaremos a fazer perguntas, a exigir respostas e a defender o nosso território.

Não às Minas!

A falácia do lobby do “lítio” e o “cavalo de Troia” para outros mineraisPorque nunca é demais informar sobre o “lítio” e...
02/08/2026

A falácia do lobby do “lítio” e o “cavalo de Troia” para outros minerais

Porque nunca é demais informar sobre o “lítio” e porque é importante compreender, de uma vez por todas, aquilo que consideramos ser a falácia do lobby do “lítio”, que pode servir de “cavalo de Troia” para a exploração de muitos outros minerais, voltamos a partilhar uma entrevista do Prof. Carlos Leal Gomes, da Universidade do Minho, geólogo e especialista em lítio.

A entrevista remonta a 2019, quando dezenas de pedidos de prospecção surgiram por todo o Norte e Centro do país e nós, movimentos e associações, começámos a organizar-nos para os combater.

Nela são abordados temas como o lítio em Portugal, a dimensão das reservas, a viabilidade económica da sua exploração, os impactos ambientais e a possibilidade de outros minerais assumirem um papel central nestes projectos.

Deixamos algumas das afirmações que consideramos particularmente importantes, mas recomendamos vivamente que ouçam toda a entrevista, do início ao fim.

“(…) eu conheço muito bem o que se consideram “jazigos de lítio” em Portugal e conheço as dimensões que os “jazigos” podem ter. E nós não temos “jazigos” com a dimensão de outros países que estão a ser trabalhados para isso e isso causa-me alguma preocupação (…)”

“(…) Portugal não produz lítio nenhum, não há nenhuma mina a produzir lítio (…) costuma dar-se o exemplo, às vezes, das minas da Guarda, de Gonçalo que estão a produzir lítio, mas não estão a produzir lítio nenhum. Estão a produzir misturas cerâmicas com lítio na constituição (…) Nunca houve aqui em Portugal uma produção de lítio metálico, de lítio sob a forma de carbonato, nunca houve!”

“(…) o impacte ambiental causado por uma mina só de lítio, um pegmatite, que é rocha que contém lítio, de facto é negligenciável (…) mas se se faz um imenso céu aberto com duas ou três jazidas separadas que vão ser aproveitadas ao mesmo tempo, aí está a cortar-se rocha encaixante. E a rocha põe-se dois problemas: 1º problema: ela pode ter conteúdos contaminantes (…) no caso de Montalegre falava-se nisso que era uma corta com 800 metros de diâmetro,(…) além desses 800 metros, os filões continuam a ser coisas pequeninas, os filões são os mesmos. E ela vai ter de cortar tudo o que está entre os filões e aí aparecem coisas muito disparatadas! Aparecem por exemplo, sulforetos que geram drenagem ácida; nesses sulforetos há libertação de iões pesados; portanto, começa de facto assim o impacto ambiental. Mas mais grave do que isso, para mim, que sou geólogo (…) é em termos económicos! É que, a certa altura, nesses 800 metros, a gente não sabe se está a explorar lítio ou se aprece uma jazida, por exemplo, de ouro, ou aparece uma jazida de tântalo, e como fulano tem direito a toda a corta depois diz que o resto são subprodutos. E se calhar ele está a explorar os sub produtos como produto e o lítio é subproduto. Portanto, quem é que vai controlar isto? (…)Estas cortas mineiras levantam problemas a dois níveis: primeiro ao nível da substância concessivel (…) e segundo ao nível do impacte ambiental (…)”

“(…) com quinhentos trabalhadores por unidade extrativa? Estas coisas não precisam de tantos trabalhadores! A mina de Greenbushes [maior mina de lítio em rocha na Austrália], a mina mesmo, trabalha com meia dúzia de pessoas! (…) Está a ver, eu próprio não consigo entender isso!”

“(…) o carbonato de lítio é uma matéria-prima barata (…) até admitir que vá aumentando o preço, mas nunca chega a valores, eu já nem digo ao do ouro, do tântalo (…) não creio que o lítio chegue a isso.”

“(…) no tempo do estanho, no inicio do século XX, ninguém tocou numa área agrícola (…) eles sabiam que não podiam por campos agrícolas a concurso, não podiam por casas (…) neste momento estão a ser postos a concurso concelhos e municípios. Os munícipes incomodam-se um pouco com isso, não é?…”

“(…) eu tenho dúvidas que se venha a tirar lítio em Portugal. O mais certo é produzirem-se concentrados que vão vendidos para fora e depois são processados, como os concentrados de volfrâmio, por exemplo. Mas mesmo para esses concentrados, ainda não há nenhuma oficina (…) aliás, nem temos sequer a mina, ainda. E depois temos imensas áreas que vão ser postas a concurso que não são verdadeiramente áreas mineiras, são municípios!”

“(…) [o lítio] não é uma substância valiosíssima. Em última análise, isto tudo é política: queremos acabar com a pegada do carbono, tudo isto são grandes chavões políticos . No fim, isto vai-se resumir ao preço que a matéria-prima vale e à venda e à comercialização, vai-se resumir tudo a isso, tanto seja lítio, como seja tungsténio [volfrâmio], como seja estanho, como seja o que for, ou cobre ou o que for (…)”

“(…) volfrâmio [tunsténio] ainda temos. E aliás, algumas destas cortas de 800 metros de diâmetro vão lá aparecer jazida de volfrâmio, de certeza absoluta. (…) ”

“(…) a Borralha nunca foi, aquilo que chama muito em linguagem mineira, uma “world-class deposit”, depósito de classe mundial. A mina de Neves Corvo e a Panasqueira já foi, a mina de Neves Corvo ainda é, depositados de classe mundial.“

“(…) o litio é um metal político, está no epaço europeu. Por ai vem uma visibilidade… (…) É natural que venham investimentos para isso (…) mas depois temos um problema, que é: a maior parte das nossas jazidas têm 0,5% de Li₂O [óxido de lítio] e contra isso não há nada a fazer. (…)”

“(…) [sobre a exploração de litio na mina do Romano em Montalegre] nós temos dois elefantes brancos a lembrar-nos cuidado, quando as decisões são tomadas sem pensar em tudo, pode dar mau resultado. (…) e depois, quando isso acabar? Abre-se outra ao lado?”

Esta entrevista foi realizada há sete anos, mas muitas das questões colocadas continuam hoje sem resposta.

É também por isso que entendemos ser importante olhar para além do discurso simplificado do “lítio”. Em Montalegre, não está apenas em causa o lítio da Mina do Romano. Está também em causa a exploração de volfrâmio na Mina da Borralha. E está em causa o território que ficará sujeito a estes projectos.

Informação, transparência e conhecimento são fundamentais para que possamos compreender aquilo que está realmente em causa.

🎥 Entrevista “Primeiro Plano - Carlos Leal Gomes, Professor universitário e especialista em lítio”:

Ver a entrevista completa no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=YbAXXurLINU

Não às Minas!

"Isto é Montalegre"Desde a fundação deste Movimento, a 1 de Maio de 2019, este vídeo promocional do nosso concelho já fo...
24/07/2026

"Isto é Montalegre"

Desde a fundação deste Movimento, a 1 de Maio de 2019, este vídeo promocional do nosso concelho já foi partilhado várias vezes. Retrata alguns dos nossos bens mais preciosos: a nossa paisagem, a nossa cultura e as nossas gentes.

Infelizmente, a realização esteve a cargo do Loving the Planet, numa altura em que este projeto mantinha uma parceria com a Lusorecursos, empresa promotora da Mina do Romano. O próprio CEO da Lusorecursos, Ricardo Pinheiro, surge creditado como assistente de realização.

É isto que as empresas mineiras fazem: procuram cativar as populações, oferecendo empregos e outros recursos que vão ao encontro das suas necessidades, contribuindo para a construção da chamada licença social para operar. No entanto, este vídeo mostra muito mais aquilo que está em risco do que a possibilidade de avançar com um projeto mineiro que coloca esse mesmo território em grande risco.

Todos juntos, conseguimos pôr termo ao apoio do Eduardo Rego e do Loving the Planet a esta empresa mineira, tal como aconteceu com outros contactos.

Muito obrigada a todos os que nos deram apoio nesta e noutras vitórias alcançadas ao longo destes sete anos.
Aos nossos seguidores mais recentes, sejam muito bem-vindos a este "Reino Maravilhoso".

Não às Minas!

Vídeo promocional do concelho de Montalegre inserido no projeto LOV...

Transparência e independência na defesa de Barroso Partilhamos o artigo abaixo por considerarmos que aborda uma questão ...
19/07/2026

Transparência e independência na defesa de Barroso

Partilhamos o artigo abaixo por considerarmos que aborda uma questão que merece ser conhecida por todos os que acompanham os projetos mineiros previstos para a região de Barroso.

Antes de mais, queremos deixar claro que a luta contra a Mina do Barroso, em Boticas, pertence à associação Unidos Em Defesa de Covas do Barroso que ali têm desenvolvido um trabalho notável, com os quais nos solidarizamos e aos quais reconhecemos o enorme esforço realizado ao longo destes anos.

O Movimento Não às Minas - Montalegre centra a sua ação exclusivamente na defesa do concelho de Montalegre e na oposição aos projetos da Mina da Borralha e da Mina do Romano. Paralelamente, mantemos uma articulação e solidariedade com os restantes movimentos da região de Barroso e de outras regiões do país, sempre que está em causa a defesa do território e do interesse público.

É neste contexto que partilhamos o artigo publicado no Diário de Trás-os-Montes. Segundo o seu conteúdo, um Memorando de Entendimento celebrado entre a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro (CTMAD) de Lisboa e a Savannah Lithium originou um profundo desacordo interno, acabando por ser rejeitado pelos próprios sócios e conduzindo à demissão de vários membros da Direção.

Importa também recordar que, a Savannah Lithium (mina do Barroso - Boticas) e a Minerália (mina da Borralha), desenvolvem os respectivos projetos mineiros e o atual CEO da Minerália exerceu anteriormente funções de direção na Savannah Lithium.

Na nossa perspetiva, este tipo de situações deve ser analisado no contexto mais alargado das estratégias de obtenção da chamada "licença social para operar" (Social Licence to Operate), amplamente estudadas no setor extrativo. Entendemos que estas estratégias não passam apenas pela promoção pública dos projetos, mas também pela aproximação a instituições, associações e outros atores locais, procurando criar condições favoráveis à sua aceitação.

Entendemos igualmente que estas estratégias podem contribuir para gerar tensão e divisão em torno dos projetos mineiros, desviando o foco do debate sobre os seus impactos ambientais, sociais e económicos. É precisamente por isso que consideramos essencial preservar a independência das organizações da sociedade civil e manter a união entre todos aqueles que defendem os seus territórios.

Partilhamos este artigo apenas com o propósito de contribuir para um debate informado, transparente e assente em factos públicos, respeitando a autonomia de todas as associações e movimentos.

Artigo: https://www.diariodetrasosmontes.com/cronica/litio-e-demissoes-na-ctmad-o-esclarecimento-aos-socios
Foto: © João Marques Fernandes

O FUTURO DO BARROSO NÃO ESTÁ DEBAIXO DA TERRA «Uma das principais justificações para a reabertura da mina da Borralha qu...
18/07/2026

O FUTURO DO BARROSO NÃO ESTÁ DEBAIXO DA TERRA

«Uma das principais justificações para a reabertura da mina da Borralha que ouvimos com frequência é que "a Borralha é um território historicamente mineiro". Mas será mesmo?

Os documentos históricos contam uma história bem diferente (Fonte: Pedro Araújo, Minas da Borralha, 1900-1951).

Até ao início do século XX, o local onde hoje conhecemos as Minas da Borralha era maioritariamente composto por terrenos baldios, florestas e pastagens comunitárias, administrados sobretudo pelos habitantes da aldeia de Caniçó. Ali pastavam cabras e ovelhas e desenvolvia-se a atividade agro-pastoril que moldou o Barroso durante séculos.

Foi apenas em 18 de setembro de 1900 que o engenheiro francês Paul Marijon registou as primeiras concessões mineiras na Câmara Municipal de Montalegre.

Ou seja:
A Borralha não nasceu mineira. Tornou-se mineira durante algumas décadas.

Mas há outro aspeto da História que raramente é contado.
Logo desde o início, a exploração mineira encontrou resistência da população local.

Apesar da contestação interposta por um conjunto de habitantes das aldeias de Caniçó, Linharelhos e Paredes, o processo administrativo segue o seu curso e os diplomas de reconhecimento das propriedades legal das concessões são publicadas em portaria de 12 de julho de 1905.

Também em 13 de dezembro de 1902, os habitantes de Caniçó, Linharelhos e Paredes apresentaram um abaixo-assinado denunciando os prejuízos causados pela exploração mineira, classificados por eles próprios como "muitos e importantes".

À medida que a mina crescia, multiplicavam-se também os conflitos. O historiador Pedro Araújo descreve uma relação marcada por expropriações, perda de baldios e uma tensão permanente entre a empresa mineira e as populações locais.
Nem o trabalho na mina correspondia ao imaginário romântico que muitas vezes hoje se tenta construir.

O escritor Bento da Cruz descrevia assim os marteleiros da Borralha:
"Decorridos três ou quatro meses, andavam a cair aos pedaços, arquejantes, agarrados às paredes, cobertos de suores frios (...). Chamavam a isso o "mal da mina"."

A mina trouxe emprego, sem dúvida. Mas trouxe também doenças profissionais, acidentes, conflitos sociais, perda de terras comunitárias e profundas transformações no modo de vida local.

E quando fechou?
Ficou um pesado passivo ambiental, desemprego e emigração.
É importante respeitar a memória de quem trabalhou na mina e de todas as famílias que dela dependeram. Essa memória faz parte da história da Borralha.

Mas respeitar essa memória não significa transformar a mineração na identidade eterna do território.
A mina foi um capítulo da nossa história. Não foi toda a nossa história.

Hoje, o Barroso é reconhecido internacionalmente pelo seu património agro-pastoril, pela sua gastronomia, pela sua paisagem, pela biodiversidade e pelos sistemas agrícolas tradicionais construídos ao longo de séculos.

A verdadeira pergunta que devemos fazer é simples:
Queremos repetir um modelo que já demonstrou ser temporário, deixou um passivo ambiental significativo e profundas consequências sociais?

Ou queremos construir um futuro baseado naquilo que torna o Barroso único e reconhecido em todo o mundo?

O Barroso não é um território mineiro.
É um território rural que foi danificado por um modelo extrativista temporário.

A mina passou. O território ficou.
É dele que temos de cuidar agora.
É dever de nós todos e principalmente dos nossos autarcas, (Fatima Fernandes) defender o interesse das gerações presentes e futuras.

Isso significa preservar o território, recuperar o que foi degradado e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

Sem minas...»

O FUTURO DO BARROSO NÃO ESTÁ DEBAIXO DA TERRA

Uma das principais justificações para a reabertura da mina da Borralha que ouvimos com frequência é que "a Borralha é um território historicamente mineiro". Mas será mesmo?

Os documentos históricos contam uma história bem diferente (Fonte: Pedro Araújo, Minas da Borralha, 1900-1951).

Até ao início do século XX, o local onde hoje conhecemos as Minas da Borralha era maioritariamente composto por terrenos baldios, florestas e pastagens comunitárias, administrados sobretudo pelos habitantes da aldeia de Caniçó. Ali pastavam cabras e ovelhas e desenvolvia-se a atividade agro-pastoril que moldou o Barroso durante séculos.

Foi apenas em 18 de setembro de 1900 que o engenheiro francês Paul Marijon registou as primeiras concessões mineiras na Câmara Municipal de Montalegre.

Ou seja:

A Borralha não nasceu mineira. Tornou-se mineira durante algumas décadas.

Mas há outro aspeto da História que raramente é contado.

Logo desde o início, a exploração mineira encontrou resistência da população local.

Apesar da contestação interposta por um conjunto de habitantes das aldeias de Caniçó, Linharelhos e Paredes, o processo administrativo segue o seu curso e os diplomas de reconhecimento das propriedades legal das concessões são publicadas em portaria de 12 de julho de 1905.

Também em 13 de dezembro de 1902, os habitantes de Caniçó, Linharelhos e Paredes apresentaram um abaixo-assinado denunciando os prejuízos causados pela exploração mineira, classificados por eles próprios como "muitos e importantes".

À medida que a mina crescia, multiplicavam-se também os conflitos. O historiador Pedro Araújo descreve uma relação marcada por expropriações, perda de baldios e uma tensão permanente entre a empresa mineira e as populações locais.

Nem o trabalho na mina correspondia ao imaginário romântico que muitas vezes hoje se tenta construir.

O escritor Bento da Cruz descrevia assim os marteleiros da Borralha:

"Decorridos três ou quatro meses, andavam a cair aos pedaços, arquejantes, agarrados às paredes, cobertos de suores frios (...). Chamavam a isso o "mal da mina"."

A mina trouxe emprego, sem dúvida. Mas trouxe também doenças profissionais, acidentes, conflitos sociais, perda de terras comunitárias e profundas transformações no modo de vida local.

E quando fechou?

Ficou um pesado passivo ambiental, desemprego e emigração.

É importante respeitar a memória de quem trabalhou na mina e de todas as famílias que dela dependeram. Essa memória faz parte da história da Borralha.

Mas respeitar essa memória não significa transformar a mineração na identidade eterna do território.

A mina foi um capítulo da nossa história. Não foi toda a nossa história.

Hoje, o Barroso é reconhecido internacionalmente pelo seu património agro-pastoril, pela sua gastronomia, pela sua paisagem, pela biodiversidade e pelos sistemas agrícolas tradicionais construídos ao longo de séculos.

A verdadeira pergunta que devemos fazer é simples:

Queremos repetir um modelo que já demonstrou ser temporário, deixou um passivo ambiental significativo e profundas consequências sociais?

Ou queremos construir um futuro baseado naquilo que torna o Barroso único e reconhecido em todo o mundo?

O Barroso não é um território mineiro.
É um território rural que foi danificado por um modelo extrativista temporário.
A mina passou. O território ficou.
É dele que temos de cuidar agora.
É dever de nós todos e principalmente dos nossos autarcas, (Fatima Fernandes) defender o interesse das gerações presentes e futuras.
Isso significa preservar o território, recuperar o que foi degradado e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.
Sem minas...

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