06/07/2026
A Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Santa Maria da Feira apresentou e entregou, na última sessão da Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira, a petição "Indaqua Fora de Santa Maria da Feira".
A petição reúne 1834 assinaturas de cidadãs e cidadãos profundamente descontentes com a gestão privada da água no concelho: vozes de diversas origens e sensibilidades políticas, cansadas de pagar uma das águas mais caras do país, e a mais cara de todo o distrito de Aveiro.
Os peticionários exigem:
1. A remunicipalização do serviço de abastecimento de água e saneamento ainda durante o atual mandato autárquico;
2. Um tarifário específico para famílias numerosas, com quatro ou mais elementos, que garanta o acesso à quantidade mínima indispensável de água ao menor custo possível;
3. O fim das taxas de ligação e da taxa de disponibilidade;
4. A remunicipalização do serviço de recolha de resíduos, com acesso universal, regular e equitativo em todo o concelho;
5. A cobertura total da rede de abastecimento e saneamento no prazo máximo de dois anos.
Perante isto, a resposta do Presidente da Câmara Municipal foi, na prática, esconder-se atrás do resultado eleitoral: ter ganho as eleições seria prova de que os Feirenses concordam com a sua política para a Indaqua. É uma fuga para a frente confortável, mas completamente desligada da realidade. E convém não esquecer: entre os 1834 peticionários há certamente muitos eleitores do PSD, gente que votou em Amadeu Albergaria e que continua, apesar disso, profundamente incomodada com a resposta que lhe foi dada sobre aquele que é, sem margem para dúvidas, o maior calcanhar de aquiles da sua gestão autárquica. Achar que não é assim é assumir uma atitude soberba. Tratar os seus próprios eleitores como se não tivessem direito a discordar, ou como se o seu voto significasse assinar um cheque em branco para tudo o resto, é de um paternalismo puro e bastante básico.
Basta perguntar na rua, às famílias e às empresas deste concelho, para perceber que a esmagadora maioria dos feirenses discorda profundamente da forma como a Indaqua tem gerido a água no nosso munícipio, e discordaria igualmente desta inação do executivo municipal perante uma roubalheira que já dura há demasiado tempo.
Ganhar eleições não dá direito a ignorar o descontentamento de milhares de pessoas, nem a fingir que uma empresa privada pode cobrar o que bem entende por um serviço essencial à vida humana como é o da água.
É por isso que lançamos o repto: que a Presidente da Assembleia Municipal e todos os partidos com assento neste órgão criem, já na próxima reunião, um ponto próprio para discutir esta petição. Não basta recebê-la e fazer de conta que ela não existe. Os 1834 feirenses que a assinaram, seja qual for o partido em que votaram, merecem ver este tema debatido a sério, em sede própria, e não varrido para debaixo do tapete ao abrigo de uma maioria autárquica.
O Bloco de Esquerda, apesar de não ter representação neste órgão, mantém-se disponível para colaborar com qualquer deputado municipal que queira assegurar que este ponto é de facto levado a debate. Não nos calamos perante uma questão que gera tanto descontentamento no nosso concelho, e não vamos deixar que uma maioria eleitoral sirva de desculpa para calar quem paga, todos os meses, a fatura desta má gestão.