08/08/2026
Foz Côa: celebrar sem apagar a história
Numa altura em que muito se fala, mas pouco se escrutina, vale a pena recordar a história de Foz Côa.
As primeiras gravuras foram identificadas por Nelson Rebanda, em 1991, quando avançava o projeto da barragem. Apesar de a sua existência ser conhecida, o Governo de Cavaco Silva (PSD) não lhes deu a devida atenção nem permitiu a sua divulgação pública. Foi sobretudo a partir de 1994, através da ação dos arqueólogos, entre eles Mila Simões de Abreu e João Zilhão, que o país tomou verdadeira consciência da importância excecional das gravuras.
Seguiram-se a incisiva intervenção política de Eurico Figueiredo, a mobilização da comunidade científica nacional e internacional e, em 1995, o movimento dos alunos de Foz Côa.
Por isso, nestas comemorações, não deveríamos esquecer aqueles que também estiveram na linha da frente: Eurico Figueiredo (PS), António Martinho (PS), Helena Roseta (PS), Ana Benavente (PS), Armando Vara (PS), Nuno Ribeiro da Silva (PSD), Paulo Velez (P*P), José Queiró (CDS-PP), Heloísa Apolónia (Os Verdes) e Mário Tomé (UDP), entre tantos outros. Nem esquecer a ENORME coragem e determinação política de António Guterres, João Cravinho e António de Almeida Santos.
Foz Côa foi uma vitória dos arqueólogos, da comunidade científica e da cidadania, com um papel particularmente marcante dos jovens. Mas foi também uma batalha política, na qual o governo do PARTIDO SOCIALISTA assumiu responsabilidades e tomou decisões determinantes. E não deveríamos permitir que uma memória coletiva desta dimensão fosse instrumentalizada como trampolim político para autarcas em fim de carreira.
Hoje, quando o Museu do Côa continua a ser um dos motores de visitação e turismo da região, há outra pergunta que merece ser feita: porque não se traduzem esses números, de forma evidente no DESENVOLVIMENTO de Foz Côa? É uma questão legítima, à qual a autarquia deve responder.
Por fim, porque sempre reconhecemos a importância deste núcleo patrimonial não apenas para Foz Côa e para Portugal, mas para toda a humanidade, associamo-nos às comemorações do 30.º aniversário do Parque Arqueológico do Vale do Côa. E recebemos, com enorme honra, o Presidente da República, António José Seguro!