11/07/2026
Já foram desmontadas dez mentiras sobre o Air Invictus:
- Não era o regresso do Red Bull Air Race, foi vendido como tal para justificar o gasto
- Nunca esteve perto de 1 milhão de pessoas, a TVI teve uma audiência de 425 mil
- Não vieram 300 mil estrangeiros, os preços dos hotéis no Porto baixaram, não subiram
- A transmissão internacional prometida, com 4 milhões atribuídos pelo Turismo de Portugal, nunca aconteceu
- A licença da ANAC só saiu 48 horas antes do evento começar
- Nas redes sociais, houve mais críticas do que aplausos
- Não existe uma única fotografia que comprove os “350 mil” anunciados no sábado
- 4 milhões foram adiantados a uma empresa unipessoal, sem currículo e sem garantias
- Houve concessões acima de 75 mil euros sem o concurso público que a lei exige
- O impacto económico de 100 milhões não resiste a uma verificação, os estrangeiros não vieram, o VIP não esgotou, só uma marca do Top 50 se associou
Falta a conta que ninguém quer fazer: quanto custou isto mesmo, e à custa de quê.
O orçamento inteiro da Cultura em Gaia para 2026 é de 2,9 milhões de euros. Para o ano inteiro. Os aviões, sozinhos, levaram 425 mil euros de apoio direto, quase 15% desse valor todo, num evento de estreia sem histórico. E isto é só o que admitem: o apoio indireto, tendas, sanitários, geradores, Polícia Municipal, promoção, não está contabilizado. O próprio vice-presidente da Câmara admitiu, e está em ata, que pode chegar a 1 milhão de euros. Se chegar, é um terço de toda a Cultura de Gaia, torrado em três dias, sem que ninguém saiba dizer o valor final. Para comparar, o Marés Vivas, extinto este ano, custava menos, 300 mil euros, e trazia sempre em média 120 mil pessoas por edição.
Um terço da cultura de um concelho inteiro é uma biblioteca de bairro com horário alargado e pessoal suficiente para não fechar mais cedo. São bolsas de criação para artistas que vivem em Gaia e não têm de sair para trabalhar. É apoio real às coletividades e associações culturais que já existem há décadas, sem patrocinador, sem naming rights, sustentadas por sócios e voluntários. É música, teatro e dança acessíveis a quem não pode pagar bilhete, não só a quem tem lugar VIP.
É isso que devia estar a crescer 15% ao ano, não um evento de três dias que ninguém sabe explicar.
Dinheiro público não é para inventar espetáculo. É para investir a sério na cultura que já é nossa.