17/09/2018
O FB da Tojeira tem estado inactivo. Vamos activa-lo por causa da visita da pessoa extraordinária que é a Margarida Silva. Já lá vão 20 anos de trabalho na PTF, plataforma transgénicos fora, com lucidez, conhecimento e muita generosidade. Quantos estão a colocar a defesa do bem comum à frente da sua carreira académica? Apesar de haver,agora, um acordar da cidadania ainda não chega para fazer frente à barbárie, que está cada vez mais forte.
"A forma impositiva de exercer o poder, entrelaçada com a corrupção, está instalada a todos os níveis, local, nacional, internacional. Mas nós, os cidadãos, somos uma parte neste sistema. Assim aquilo que fazemos (ou não fazemos) terá de condicionar os políticos. Em última análise, não seremos nós que estamos a criar condições para o enraizamento desta forma musculada de democracia, que mais não é do que uma forma de barbárie? (...)
Todos nós, políticos de profissão e cidadãos, podemos ser muito maus mas também muito bons - cada um de nós é, afinal, uma multidão.
Mas acomodados e pensando apenas nos benefícios de curto prazo, optamos geralmente por fazer, em cada situação, o possível em vez do melhor possível. Parece mais fácil optar pela mediocridade. Preferimos cochichar, apontando o que está mal ao vizinho do lado, em vez de nos empenharmos na sua reparação, defendendo o bem comum. Mas poderíamos fazê-lo, bastaria optar por fazermos sempre o melhor possível, tornando-nos excepcionais. (...)
Essa ideia de que tudo se reduz a hierarquias (vencedor/vencido, rico/pobre, inteligente/ ignorante) e o que interessa é atingir o topo não passa de uma ficção que nos foi implantada ,como uma espécie de ship, e que é possível desimplantar, se quisermos, para seguir noutra direcção. No caminho da excelência somos todos (apenas) pessoas empenhadas em desenvolver a capacidade de aceitar e valorizar o que temos de humano encarando o erro como uma passagem para aceder ao conhecimento.
Para termos políticos excepcionais teremos de ser cidadãos excepcionais (?). Arriscamos tentar ou preferimos ficar no sofá a acusar os outros?
Graça Passos / publicado no "o Sambrasense", Agosto 2018