24/04/2026
Sobre o crescimento desordenado das esplanadas em Vila Verde e Barbudo
Nos últimos tempos, tem-se verif**ado em Vila Verde e Barbudo o surgimento de esplanadas de grandes dimensões, muitas delas assentes em estruturas metálicas pesadas, instaladas sem que exista um regulamento claro, uniforme e transparente que discipline a sua localização, dimensão e integração no espaço público.
O que se observa é um cenário de caos, falta de planeamento e ausência de critérios uniformes no processo de autorização e licenciamento das esplanadas. Esta situação torna-se ainda mais preocupante quando se verif**a que, recentemente, alguns comerciantes foram intimados a desmontar e retirar esplanadas já instaladas, enquanto noutros casos se encontram processos judiciais em curso relacionados com a instalação de estruturas semelhantes. Tal realidade revela um tratamento desigual e uma manifesta falta de coerência na atuação administrativa.
Recentemente assistimos à instalação de uma grande estrutura metálica junto a um estabelecimento localizado na Rua da Misericórdia, implantada sobre um espaço que era anteriormente ajardinado. Este tipo de intervenção causa natural perplexidade e apreensão, sobretudo quando ocorre sobre espaços verdes, que deveriam ser preservados como áreas de fruição pública e valorização urbana.
Importa deixar claro que não somos contra a existência de esplanadas. Pelo contrário, reconhecemos o seu papel na dinamização económica e social da vila. Contudo, defendemos que estas devem ser moderadas nas suas dimensões, preferencialmente instaladas em lugares de estacionamento ou em passeios de grande largura, e nunca em prejuízo de jardins, zonas ajardinadas ou espaços verdes.
A ocupação de áreas verdes para a instalação de esplanadas é particularmente preocupante. Na última Assembleia da Junta de Freguesia de Vila Verde e Barbudo, ocorrida no passado dia 22, o Sr. Presidente da Junta, admitiu ter autorizado e licenciado a referida esplanada, justif**ando que o espaço verde já se encontrava reduzido a um jardim em terra, utilizado como zona de passagem, e que existiriam outras áreas verdes nas imediações.
Um jardim em mau estado não justif**a a sua eliminação, pelo contrário, revela apenas que alguém falhou na sua manutenção. Qualquer espaço ajardinado pode e deve ser recuperado, valorizado e transformado num local bonito, agradável e funcional para a comunidade.
Reiteramos, assim, que a nossa posição não é de oposição às esplanadas, mas sim uma defesa firme de planeamento, organização e regulamentação. É urgente criar regras claras quanto aos materiais utilizados, às cores, às dimensões das estruturas e à sua localização, garantindo uma imagem urbana harmoniosa, equilibrada e respeitadora do espaço público.
Vila Verde e Barbudo não pode crescer à custa da improvisação. O desenvolvimento deve ser feito com critério, uniformidade e respeito pelo interesse coletivo e não através de decisões avulsas que contribuem para a desordem e para a descaracterização dos nossos espaços comuns.