25/08/2026
Sobre os transportes públicos gratuitos em Viseu. Vale bem a pena a leitura.
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O autocarro já vem aí
Viseu põe os autocarros a andar de graça e os descrentes podem começar a engolir em seco
A partir de 1 de setembro, viver em Viseu passa a dar direito a uma coisa que há não muito tempo parecia pertencer ao reino das promessas impossíveis, andar de autocarro gratuitamente dentro do concelho.
Todos os residentes com 24 ou mais anos poderão viajar sem pagar nos transportes MUV, STUV e MOBI Viseu Dão Lafões, através do novo Passe Residente Viseu.
É uma daquelas medidas que merece mais do que uma nota de rodapé. Merece aplauso. Porque mexe diretamente na carteira das famílias, facilita a mobilidade, incentiva o transporte público e pode ajudar a tirar carros das ruas. E porque Viseu, cidade do interior, decidiu não esperar pela habitual procissão de estudos, desculpas e “vamos analisar”.
E aqui chegamos aos profetas do costume. Aos que não acreditavam. Aos que explicavam, com a segurança própria de quem nunca tem de pôr uma medida em prática, que não era possível, que não havia dinheiro, que era uma promessa, que “isso cá em Viseu nunca vai acontecer”. Pois bem. Aconteceu.
Há uma certa ironia bonita nestas coisas, enquanto uns estavam ocupados a explicar por que razão não se podia fazer, outros estavam a tratar de descobrir como se fazia. E agora o autocarro vai passar. E passa de graça.
A partir de 24 de agosto, os novos utilizadores podem pedir o Passe Residente Viseu junto dos operadores, mediante documento de identif**ação e comprovativo de domicílio fiscal no concelho. O passe custa 5 euros e, para quem pretender utilizar mais do que um operador, será necessário um passe por operador.
A partir de 1 de setembro, basta validar o passe dentro do autocarro em cada viagem. O documento terá validade de um ano e a renovação será automática todos os meses, sem a peregrinação mensal ao posto de atendimento.
E há aqui qualquer coisa de particularmente simbólico. Um autocarro não é apenas um autocarro. É uma porta que se abre para quem precisa de ir trabalhar, estudar, tratar da vida, ir ao centro, voltar para casa. É tempo que se ganha, dinheiro que se poupa e, talvez, uma chave de ignição que f**a desligada na garagem.
É também uma cidade a dizer que mobilidade não deve ser um luxo. Viseu, durante décadas habituada a ouvir que certas coisas só acontecem “lá fora”, decidiu provar o contrário. Cascais fez. O Porto fez. Agora Viseu faz — e fá-lo no interior, fora das duas grandes áreas metropolitanas.
E talvez seja essa a parte mais importante desta história, não é preciso viver junto ao Tejo ou ao Douro para ter ambição. Há quem tenha passado meses a olhar para o copo e a explicar que estava meio vazio. Entretanto, alguém decidiu encher o autocarro.
Agora é deixá-lo andar.
Que percorra as ruas de Viseu, que atravesse as freguesias, que leve gente e traga gente. Que transporte trabalhadores, estudantes, reformados, pais, filhos, vizinhos e todos aqueles que simplesmente querem chegar ao destino sem terem de contar moedas.
E aos que não acreditavam, resta uma coisa bastante simples, validar o passe e entrar.